A Câmara Municipal de Goiânia aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (11), o projeto de lei que cria o Museu e Memorial do Césio-137. A proposta visa preservar a memória do maior acidente radiológico ocorrido fora de uma usina nuclear e prevê um espaço com funções culturais e educativas voltadas a escolas, universidades, pesquisadores e visitantes.
Função e objetivos do museu
Segundo o texto aprovada pelo Legislativo municipal, o museu e memorial tem por objetivo documentar o episódio, homenagear as vítimas e reconhecer o trabalho dos profissionais envolvidos nas ações de socorro e contenção da contaminação. A proposta também destaca o caráter educativo da iniciativa, destinada a promover conscientização sobre riscos radiológicos e aspectos científicos do acidente.
- Preservação da memória e homenagem às vítimas;
- Reconhecimento do trabalho de profissionais de socorro e contenção;
- Atuação como espaço cultural, educativo e de pesquisa.
Competência para implantação e contexto imediato
O texto aprovado delega ao Poder Executivo a responsabilidade de definir o local para a implantação do museu e memorial. Durante a sessão, vereadores relacionaram a tramitação do projeto a um incêndio que ocorreu, um dia antes, no Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás, local onde estão depositados os rejeitos do acidente radiológico de 1987. Autoridades informaram que a área com o material radioativo não foi atingida pelo fogo.
“Precisamos tomar cuidado. Olha a coincidência. O parque Telma Ortegal pegando fogo e nós aprovando o projeto de lei para criar um espaço para a memória do Césio-137 em Goiânia”,
declarou o vice‑presidente da Câmara, Anselmo Pereira (MDB), durante a votação, ressaltando o caráter simbólico e a urgência do tema na agenda pública local.
Repercussão entre vereadores e implicações educativas
Além de Anselmo Pereira, outros parlamentares também manifestaram apoio ao projeto no plenário. O texto foi aprovado na primeira sessão do semestre legislativo e recebeu manifestações favoráveis que destacaram a importância de manter viva a memória coletiva e de usar o espaço para informar e prevenir a população sobre riscos radiológicos.
O projeto prevê que o museu possa receber estudantes, pesquisadores e o público em geral, abrindo espaço para atividades educativas e de pesquisa que aprofundem a compreensão sobre os impactos sociais, históricos e científicos do episódio. Não há, no entanto, definição sobre cronograma, orçamento ou localidade específica para a implantação — questões que caberão ao Executivo após a sanção da lei.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Finalidade | Preservação da memória, homenagem, caráter cultural e educativo |
| Responsabilidade pela implantação | Poder Executivo de Goiânia (definição do local) |
| Público-alvo | Escolas, universidades, pesquisadores e visitantes |
Próximos passos e observações
Com a aprovação unânime na Câmara, o projeto segue para a etapa administrativa no âmbito municipal, onde o Executivo deverá indicar o local e definir detalhes de execução. Entre os pontos que passam a demandar atenção pública estão o orçamento necessário para construção e manutenção do espaço, o cronograma de implantação e as diretrizes expositivas e educativas que nortearão as atividades.
O episódio do incêndio em Telma Ortegal e a aprovação do projeto na Câmara reacendem o debate sobre a gestão de resíduos radioativos e a necessidade de políticas públicas de preservação e informação à população. A criação do museu em Goiânia representa, na avaliação dos parlamentares, uma iniciativa para registrar a memória do acidente e também para fomentar a educação sobre segurança radiológica.
Não houve, na sessão, detalhes adicionais sobre prazos ou fontes de financiamento. Cabe agora ao Executivo municipal apresentar o projeto executivo, indicando local, estimativa orçamentária e plano de operacionalização do novo equipamento cultural e educativo.