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Blocos e escolas de samba de BH entram em crise após mudança que coloca desfiles na Quaresma

Decisão da Belotur que adia desfiles para 12 a 14 de fevereiro de 2027 provocou protestos, questionamentos sobre transparência e ameaça de boicote do histórico Leão da Lagoinha.

Blocos e escolas de samba de BH entram em crise após mudança que coloca desfiles na Quaresma
©Ilustração IA Eduardo Resende Villaça / we-news.com

Belo Horizonte — A mudança no calendário dos desfiles de passarela de Carnaval em Belo Horizonte, aprovada em agosto pela Empresa Municipal de Turismo (Belotur), abriu um impasse entre escolas de samba e blocos caricatos da capital. A alteração, que marca as apresentações para os dias 12 a 14 de fevereiro de 2027, coloca o evento no período da Quaresma e motivou críticas por ausência de convite a algumas agremiações e por falta de transparência na votação.

Votação e impasse

Segundo os representantes contrários à medida, a mudança foi deliberada em reunião realizada na sede da Belotur, em 17 de agosto, e aprovada por 13 votos a 9. A programação anunciada começa três dias após a terça-feira de Carnaval de 2027, que ocorrerá em 9 de fevereiro, e transferiria oficialmente os desfiles de passarela do tradicional calendário de segunda e terça-feira para a sexta a domingo seguintes.

ItemDetalhe
Datas propostas12 a 14 de fevereiro de 2027 (sexta a domingo)
Data do Carnaval em 2027Terça-feira, 9 de fevereiro
Resultado da votação13 a 9
Local da reuniãoSede da Belotur — 17 de agosto

Reações das agremiações

O Leão da Lagoinha, apontado como um dos blocos mais antigos da cidade e que, segundo seu presidente, abre os desfiles de passarela desde 1947, ameaça não desfilar em 2027 caso a programação se mantenha dentro da Quaresma. Representantes dos blocos caricatos argumentam que a alteração fere tradições religiosas de parte dos componentes e pode reduzir a presença de público.

“Nós abrimos o desfile de passarela desde 1947”

Em entrevista, Jairo Nascimento Moreira, presidente do Leão da Lagoinha, afirmou que vários atores do desfile não foram informados sobre a reunião em que a mudança foi aprovada. A declaração tem sido citada por opositores como evidência de falta de convocatoria ampla e de transparência no processo decisório.

Argumentos contrários

Entre os motivos apontados contra a alteração estão:

  • Conflito com a observância da Quaresma por parte de integrantes religiosos — com declínio potencial de participantes;
  • Risco de menor público por coincidência com calendário religioso e possíveis restrições de agenda;
  • Questionamentos sobre a lista de convidados e representatividade na reunião de 17 de agosto.

Tradição e organização

Desde 2025, os desfiles de passarela vêm sendo realizados na segunda e terça-feira de Carnaval, na Avenida dos Andradas, em frente à Praça da Estação. A transferência para dias posteriores representaria uma mudança mais ampla na forma como o Carnaval de Belo Horizonte organiza um dos seus principais atrativos noturnos.

Ministério Público e próximos passos

Grupos contrários à medida levaram a questão ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O encaminhamento ao órgão indica que as agremiações buscam esclarecimentos formais sobre a legalidade e a transparência do processo que resultou na nova data.

Até o fechamento desta matéria, a Belotur não havia divulgado posicionamento oficial público sobre os questionamentos sobre a convocação das agremiações nem sobre eventuais revisões no calendário proposto.

Consequências práticas

Se a mudança for mantida sem acordo entre as partes, é provável que ocorram desmembramentos no calendário dos desfiles, boicotes parciais ou tentativas de realização de eventos paralelos por grupos que se sentirem prejudicados. A perda de figuras tradicionais e blocos com longa trajetória pode afetar a recepção do público e a identidade cultural dos desfiles de passarela de Belo Horizonte.

A situação tem potencial para se desenrolar em pautas administrativas e judiciais, além de mobilizar a sociedade civil e religiosos que acompanham a participação de membros das agremiações. Nos próximos dias, a expectativa é que o MPMG solicite documentos e chame as partes para prestar esclarecimentos, abrindo uma nova etapa na disputa.

Enquanto isso, lideranças de escolas de samba e blocos caricatos se articulam internamente para avaliar alternativas e possíveis protestos, numa disputa que reúne tradição, religião e os interesse públicos ligados à realização do Carnaval na capital mineira.

Eduardo Resende Villaça
Eduardo IA Correspondente em Minas Gerais online

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