A professora aposentada Araceli Maria Pereira Lemos, conhecida apenas como Araceli, é uma das seis candidatas ao governo do Pará no pleito de 2026. Filiação pelo PSOL, 68 anos de idade e natural de Inhangapi, no interior do estado, Araceli concorre pela primeira vez a um cargo majoritário estadual com propostas centradas sobretudo na educação pública.
Trajetória política e experiência na gestão
Araceli tem histórico de disputas eleitorais desde o início dos anos 2000: candidatou-se à prefeitura de Castanhal em 2004 pelo PT, concorreu a deputada federal em 2006 e a estadual em 2010, além de ter sido 1ª suplente ao Senado em 2018 — sem sucesso eleitoral em todas essas tentativas. Em 2023, voltou a ocupar posição administrativa pública ao assumir a Secretaria Municipal de Educação de Belém, depois de ter exercido o cargo de diretora-geral da mesma instituição.
Propostas centrais: educação e inclusão regional
No plano apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral, Araceli defende, entre prioridades, a expansão de campus da Universidade do Estado do Pará (UEPA) para as seis mesorregiões do estado. A proposta busca reduzir a concentração de oferta de ensino superior e facilitar o acesso dos jovens da floresta e do interior às universidades públicas estaduais.
Outras propostas destacadas pela candidata incluem:
- Criação de mais vagas em creches, com foco em acessibilidade e atendimento às famílias trabalhadoras;
- Ampliação do ensino integral na rede pública, visando fortalecer a formação básica e reduzir desigualdades educacionais;
- Fortalecimento da gestão municipal da educação, com interlocução entre Estado e cidades para implementação de políticas locais.
Recursos declarados e perfil socioeconômico
Araceli declarou ao Tribunal Superior Eleitoral bens avaliados em R$ 534.231,19, distribuídos entre imóveis, terrenos e investimentos. Ela se autodeclara preta, tem 68 anos, é divorciada e aposentada da carreira de professora — atributos que compõem seu perfil público e político durante a campanha.
| Item | Dados |
|---|---|
| Idade | 68 anos |
| Naturalidade | Inhangapi (PA) |
| Partido | PSOL |
| Bens declarados | R$ 534.231,19 |
| Experiência administrativa | Secretaria Municipal de Educação de Belém; diretora-geral da mesma instituição |
Contexto eleitoral e quadro estadual
O eleitorado paraense é composto por cerca de 6.265.355 eleitores aptos a votar, com mulheres representando a maior parte, 50,75%. Além de Araceli, disputam o governo do estado Dr. Daniel (Podemos), Gal Leite (UP), Hana Ghassan (MDB), Ruth Reis (Democrata) e Well Macedo (PSTU). A campanha de Araceli busca se diferenciar pelo foco nas políticas educacionais e na interiorização do ensino superior como estratégia de desenvolvimento local.
Impacto regional das propostas
Propostas de expansão de campus e fortalecimento do ensino integral têm impacto direto sobre comunidades tradicionais, ribeirinhas e populações de municípios do interior do Pará. O investimento em creches e em políticas de permanência estudantil pode influenciar, por exemplo, a participação das mulheres no mercado de trabalho formal e a redução de desigualdades entre áreas urbanas e rurais.
Desafios e questões abertas
Embora a plataforma apresente metas de ampliação da rede universitária e de infraestrutura educacional, o plano deixou em aberto detalhes sobre financiamento, prazos e articulação com o governo federal e prefeituras — pontos que tendem a ser questionados ao longo da campanha eleitoral. A viabilidade das propostas dependerá de estudos técnicos, orçamento público e parceria com instituições de ensino.
Mobilização e espaço político
Araceli chega à disputa com trajetória ligada à educação pública e com apelo junto a setores que reivindicam políticas específicas para o interior e para a formação profissional na região amazônica. Em um estado marcado por contrastes sociais e desafios ambientais, a reafirmação de políticas públicas de educação aparece como um dos vetores centrais de debate nesta eleição.
O foco nas mesorregiões e na interiorização do ensino superior coloca a Amazônia e seus povos no centro da agenda proposta pela candidata, ressaltando demandas históricas por acesso educativo de base territorializada e por serviços públicos que dialoguem com a realidade das comunidades da floresta.