Entrada superior em Guarda e preocupações sobre concorrência nacional
A Universidade Politécnica da Guarda (UPG) registou na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso de 2026 a colocação de 372 estudantes, um aumento de 94 alunos face ao número registado pelo Instituto Politécnico da Guarda (IPG) em 2025. Apesar destes números positivos para uma instituição no seu primeiro ano letivo, a taxa global de ocupação das vagas colocadas a concurso ficou em 50,5%, facto que levou a administração a sublinhar riscos estruturais decorrentes do panorama nacional de ensino superior.
Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) e citados pela UPG, alguns cursos atingiram níveis elevados de preenchimento, com destaque absoluto para os cursos de Enfermagem e de Design de Equipamento e Ambientes, ambos com a totalidade das vagas preenchidas na 1.ª fase.
Distribuição por cursos: sucessos e vagas ainda por preencher
Para além das duas formações que esgotaram, outras licenciaturas da nova politécnica mostraram boa procura, como Marketing, Educação Básica, Desporto, Comunicação e Relações Públicas, e Gestão. A licenciatura em Educação Básica ficou com apenas duas vagas a transitar para a 2.ª fase, enquanto o curso de Marketing apresentou apenas uma vaga por preencher.
- Enfermagem — 100% de ocupação
- Design de Equipamento e Ambientes — 100% de ocupação
- Educação Básica — 2 vagas para a 2.ª fase
- Marketing — 1 vaga para a 2.ª fase
- Desporto, Comunicação e Relações Públicas, Gestão — boas taxas de colocação
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Estudantes colocados (1.ª fase) | 372 |
| Aumento face a 2025 | +94 |
| Taxa de ocupação das vagas | 50,5% |
Reitor alerta para «concorrência desleal»
O reitor da UPG, Joaquim Brigas, interpretou os resultados sob duas leituras: por um lado, o crescimento demonstra confiança por parte de centenas de estudantes e famílias na afirmação da nova universidade como instituição de ensino e investigação; por outro, expõe um problema sistémico. Como afirmou:
«O aumento generalizado de vagas em todo o país configura uma concorrência desleal para as instituições de ensino superior localizadas no interior, em territórios de baixa densidade, as quais veem potenciais estudantes irem para os grandes centros como consequência.»
Esta análise coloca a UPG no centro de um debate mais amplo sobre a distribuição territorial da oferta formativa superior em Portugal. A expansão de vagas noutras instituições, sobretudo em zonas urbanas e metropolitanas, pode atrair candidatos que, de outra forma, estariam disponíveis para cursos no interior, explicando em parte a taxa de ocupação global relativamente moderada apesar do número absoluto de colocados ser superior ao ano anterior.
Implicações locais e próximos passos
Para a cidade da Guarda e para a região envolvente, a consolidação de cursos com elevada procura — em particular Enfermagem e Design — representa um ganho imediato em termos de atratividade e potencial impacto socioeconómico: mais estudantes implicam maior procura por alojamento, serviços e um reforço do ecossistema cultural e académico local. Ao mesmo tempo, a administração da universidade terá de prosseguir estratégias de captação e retenção de estudantes para elevar a taxa de ocupação global.
Entre as medidas plausíveis no curto e médio prazo estão o reforço das parcerias com instituições de saúde e setor empresarial para estágios e empregabilidade, campanhas de divulgação territorializada e a criação de incentivos específicos para atrair estudantes de outras regiões. A evolução das colocações nas fases subsequentes do concurso e a resposta às críticas sobre a oferta nacional de vagas serão indicadores-chave para avaliar a sustentabilidade do projecto politécnico em Guarda.
Num contexto de desertificação e desafios demográficos no interior do país, os resultados da UPG serão acompanhados de perto pelas autoridades locais, pelas famílias e pelos próprios alunos, que procuram nas novas ofertas formativas uma alternativa credível às opções dos grandes centros urbanos.