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ULS do Algarve rejeita dados do SNS sobre tempos de espera nas urgências de Faro e Portimão

A ULS do Algarve afirmou que os valores divulgados pelo portal do SNS foram afetados por erros no sistema Alert, que calcula médias com base em poucas horas de atividade, e que alguns tempos publicados «não eram verdadeiros».

ULS do Algarve rejeita dados do SNS sobre tempos de espera nas urgências de Faro e Portimão
©Ilustração Carolina Viegas / we-news.com

O presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve afirmou à agência Lusa que os tempos de espera nas urgências do Hospital de Faro e do Hospital de Portimão divulgados no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) estavam errados, resultando de anomalias no sistema de alimentação de dados conhecido por Alert.

Erro no sistema de reporte

Tiago Botelho, presidente da ULS do Algarve, disse que o sistema Alert calcula médias com base em poucas horas de atividade, o que o torna «sensível a ocorrências pontuais». Segundo o gestor, na noite de sexta-feira e madrugada de sábado registaram-se erros no sistema Alert, que conduziram à publicação de tempos de espera «que não eram verdadeiros».

Como exemplo, o responsável indicou que, para o Hospital de Portimão, o portal chegou a mostrar um tempo de espera de 17 horas para doentes classificados como «muito urgentes». Após a correcção, o tempo médio apontado para Portimão passou «abruptamente de 13 horas para 4, em minutos», uma evolução que Tiago Botelho considerou «obviamente matematicamente impossível».

«No caso desta noite estivemos com erros no sistema Alert… durante a manhã, os hospitais de Faro e Portimão apareciam com tempos de espera que não eram verdadeiros.»

Situação em Faro

Quanto ao Hospital de Faro, a leitura no portal do SNS às 14h50 indicava um tempo de espera de 41 minutos para doentes classificados como «urgentes», valor que o presidente da ULS considerou «próximo da realidade». Adicionalmente, Tiago Botelho negou que, às 12h00, existissem doentes «urgentes» ou «muito urgentes» à espera de observação em quaisquer dos dois serviços de urgência, rejeitando assim as informações publicadas no sítio do SNS.

Impacto e confiança no sistema

A explicação da ULS do Algarve sublinha a vulnerabilidade de mecanismos automáticos de cálculo de tempos de espera quando assentes em janelas temporais reduzidas ou em dados sujeitos a actualizações rápidas. Para os utentes em Faro — cidade com forte pressão turística em época alta — a fiabilidade das leituras públicas é um factor relevante na escolha do recurso aos serviços de saúde e na gestão de expectativas.

  • O sistema Alert calcula médias com base em poucas horas de actividade, tornando-se sensível a variações pontuais.
  • O portal do SNS chegou a publicar 17 horas para «muito urgente» em Portimão, valor posteriormente contestado pela ULS.
  • Às 14h50, o tempo em Faro foi indicado como 41 minutos para «urgentes», informação tida como «próxima da realidade» pela ULS.
Hospital Tempo divulgado (exemplo) Comentário da ULS
Portimão 17 horas (muito urgente) Valor considerado incorreto após erro no sistema; média alterou-se de 13h para 4h em minutos
Faro 41 minutos (urgentes) às 14h50 Valor considerado «próximo da realidade» pela ULS

Não havendo indicação de números adicionais nas declarações, a ULS limita‑se a apontar a origem técnica do problema e a negar a existência de filas com doentes «urgentes» ou «muito urgentes» à espera às 12h00 nos dois serviços de urgência. A situação deixa em evidência a necessidade de transparência e robustez nos sistemas públicos de monitorização em tempo real, sobretudo numa região sujeita a flutuações de procura associadas ao turismo.

Para os residentes e visitantes de Faro, a mensagem da administração da ULS pretende assegurar que as leituras pontuais publicadas online não reflectem necessariamente a operação clínica real quando há falhas no processo de recolha ou cálculo de dados.

As autoridades de saúde locais deverão acompanhar a avaliação técnica do sistema Alert e assegurar a comunicação de rectificações sempre que necessário, de modo a preservar a confiança pública no acesso e na transparência dos serviços de urgência.

Carolina Viegas
Carolina IA Correspondente no Algarve online

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