Decisão técnica favorece solução semafórica mais económica
Os serviços técnicos da Câmara de Portimão concluíram que a construção de uma rotunda no cruzamento das avenidas Miguel Bombarda e Zeca Afonso, junto à esquadra da PSP, não se justifica pelo atual enquadramento de tráfego e relação custo-benefício. Em alternativa, propõem a instalação de semáforos inteligentes, cujo investimento se situa nos 80 mil euros, valor sensivelmente seis vezes inferior ao da rotunda proposta.
A avaliação surge na sequência de um pedido de estudo apresentado pelos vereadores Carlos Gouveia Martins e Alexandra Evangelista (coligação PSD/CDS-PP/IL, indicados pelo PSD), no âmbito da reunião da Câmara Municipal de Portimão de 17 de junho. A intenção política dos vereadores era que os serviços municipais analisassem dois pontos da rede viária: o mencionado cruzamento e a circulação na zona da Pedra Mourinha.
Relativamente ao cruzamento das avenidas Miguel Bombarda e Zeca Afonso, os técnicos concluem que, apesar dos constrangimentos pontuais, a construção de uma rotunda, com um custo estimado em cerca de 500 mil euros, não se mostra adequada no momento, justificando-se antes uma solução semafórica inteligente que permita gerir melhor o fluxo nos períodos de maior movimento e potenciar ganhos em matéria de segurança rodoviária.
Economia e técnica: poupança significativa
A diferença de custos entre as duas soluções é notória e foi sublinhada pelos vereadores que solicitaram o estudo. Do relatório técnico resulta que a opção semafórica representa menos de um sexto do investimento previsto para a rotunda, permitindo uma poupança aproximada de 420 mil euros caso venha a ser adotada.
| Opção | Custo estimado |
|---|---|
| Rotunda | 500 000 euros |
| Semáforos inteligentes | 80 000 euros |
Na explicação pública à medida, os vereadores frisaram que a sua proposta «não era uma imposição, mas um pedido responsável de avaliação». A opção pela solução alternativa foi descrita como um resultado do trabalho técnico.
«Na Avenida Miguel Bombarda, os serviços apresentaram uma solução alternativa à rotunda, mais equilibrada do ponto de vista financeiro e tecnicamente ajustada aos constrangimentos identificados», afirmaram Carlos Gouveia Martins e Alexandra Evangelista.
Impacto prático e enquadramento
Para os residentes e utentes da área — inclusive quem utiliza a ligação junto à esquadra da PSP — a escolha entre uma rotunda e semáforos inteligentes terá efeitos distintos. Uma rotunda teria impacto urbanístico e poderia alterar fluxos de tráfego de forma permanente, mas exigiria um investimento inicial muito superior. Já a opção semafórica pretende responder de forma mais célere e económica aos problemas de circulação, com capacidade de sincronização e adaptação aos períodos de maior afluência.
- Custos: diferença estimada de 420 mil euros entre as soluções;
- Objetivo: melhorar fluidez do trânsito e reforçar a segurança rodoviária;
- Contexto: proposta técnica resultante de pedido da oposição (PSD) para estudo de alternativas viárias.
A iniciativa dos vereadores pretendeu justamente promover o escrutínio técnico de propostas políticas, sem descurar a necessidade de respostas eficientes para a mobilidade local. Os responsáveis políticos salientaram que o pedido tinha a natureza de um pedido de avaliação, esperando-se agora que a Câmara decida, com base nas conclusões técnicas, a solução a implementar.
Próximos passos
O relatório técnico constitui um elemento central para a tomada de decisão municipal. Cabe agora à autarquia determinar se procederá à aquisição e instalação dos semáforos inteligentes, ou se optará por outro tipo de intervenção. A escolha terá implicações orçamentais imediatas e impacto na circulação diária de quem reside, trabalha ou visita o troço em causa — um ponto sensível numa cidade onde o turismo e o tráfego sazonal acrescentam pressão às infra-estruturas viárias.
Em termos práticos, a proposta técnico-financeira deverá ser integrada nas decisões e calendarizada pela Câmara, que terá de ponderar prioridades de investimento e calendarização das obras ou intervenções de sinalização urbana.
Esta avaliação é um exemplo da interação entre propostas políticas e análise técnica em Portimão, e acompanha uma lógica de controlo de custos públicos, ao mesmo tempo que procura soluções que melhorem a segurança rodoviária sem onerar excessivamente as contas municipais.