Pedido formal para expansão após anos de crescimento demográfico
A Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria manifestou publicamente a intenção de construir uma terceira torre no Hospital de Santo André, em Leiria, como resposta à «pressão crescente» sobre a capacidade da unidade hospitalar e às necessidades de uma população em expansão. A declaração foi feita pelo presidente da ULS, Manuel José Carvalho, na sessão que assinalou o dia da instituição, realizada nas instalações do hospital.
Segundo o responsável, a unidade serve atualmente um universo aproximado de 420 mil utentes, número que coloca o equipamento hospitalar numa situação que, nas suas palavras, está a «rebentar pelas costuras». O Hospital de Santo André foi inaugurado há 31 anos e «na altura dimensionado para metade» da população que hoje integra a área de influência da ULS.
Dados sobre rácio de camas e desafios tecnológicos
Na intervenção, Manuel José Carvalho sublinhou que os dados de 2025 mostram um rácio de camas por mil habitantes na região de 1,9 camas, quando a média nacional é de 3,4 camas por mil habitantes e a referência em muitos países da OCDE ronda as 4,2 camas por mil habitantes. Estes números foram usados para justificar a necessidade de reforço da oferta física e da capacidade de resposta do hospital.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Rácio de camas (Região de Leiria, 2025) | 1,9 / 1000 |
| Média nacional (Portugal) | 3,4 / 1000 |
| Média recomendada (OCDE) | 4,2 / 1000 |
O presidente da ULS chamou também a atenção para o grau crescente de complexidade da atividade em saúde, incluindo a adopção de novos equipamentos, meios complementares de diagnóstico, robótica e a incorporação da inteligência artificial, elementos considerados «imprescindíveis» para assegurar padrões elevados de cuidados.
Projeto já apresentado ao Ministério da Saúde
Manuel José Carvalho revelou que, em agosto, foi entregue à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, «o primeiro projeto/esboço» para a construção da nova torre. A iniciativa surge como «o grande desafio» da ULS e como a resposta que o hospital e a região reivindicam para garantir condições adequadas de trabalho aos profissionais e melhores cuidados aos utentes.
«Estamos a rebentar pelas costuras. A nossa ULS é uma das maiores do país, abrange à data um universo de 420 mil utentes…»
Impacto regional e contexto institucional
Na sessão institucional, o presidente do conselho de administração relacionou o pedido de expansão com características mais vastas da região: dinamismo económico, capacidade de atração de pessoas e desenvolvimento institucional recente, como a criação da Universidade de Leiria e Oeste, referida pelo próprio como exemplo de crescimento e inovação.
O apelo para a construção da terceira torre integra-se numa visão de planeamento que visa não apenas aumentar o número de camas, mas acomodar as necessidades tecnológicas e organizacionais que marcam a medicina contemporânea. A proposta toca, também, aspectos de gestão integrada entre instituições locais e nacionais, bem como a exigência de financiamento e decisão política.
Próximos passos e questões abertas
- A ULS entregou um esboço do projeto ao Ministério da Saúde em agosto;
- Ficam por definir calendário, financiamento, dimensão final da torre e impacto nas atuais valências do hospital;
- A necessidade de articulação entre Ministério, ULS, autarquias e outras entidades locais será determinante para avanço da obra.
Enquanto se aguarda um posicionamento formal do Ministério sobre o projeto e o eventual calendário de execução, a proposta da ULS lança sobre a agenda pública local questões centrais para o sistema de saúde regional: capacidade física, atualização tecnológica e sustentabilidade do modelo de cuidados para uma população crescente.