Nova direção promete trabalho imediato para “abrir portas que estão fechadas”
O concelho de Serpa tem, desde o final de agosto, um novo provedor na direção da Santa Casa da Misericórdia: o engenheiro agrónomo Tomé Panazeite, cuja lista reuniu a maioria dos votos nas eleições intercalares realizadas no dia 27 de agosto.
Das 55 exprimendas, a lista de Tomé Panazeite obteve 49 votos favoráveis, registando-se ainda cinco votos em branco e um voto nulo. A votação surge num contexto de instabilidade interna da instituição, que obrigou à demissão da anterior Mesa Administrativa em julho, depois de uma proposta sobre gestão partilhada de valências com um grupo privado de saúde ter sido rejeitada.
| Item | Resultado |
|---|---|
| Total de votos possíveis | 55 |
| Votos à lista de Tomé Panazeite | 49 |
| Votos em branco | 5 |
| Voto nulo | 1 |
Em declarações à agência Lusa, o novo provedor sublinhou que ainda não teve acesso à documentação oficial sobre a situação interna da instituição, mas que é do conhecimento público que a Santa Casa atravessa um «momento difícil». Adiantou que os próximos meses exigirão muito trabalho e empenho.
«Estou à espera da tomada de posse para ter o conhecimento real do estado de alma da própria Santa Casa e começar a trabalhar de imediato, porque é preciso abrirem-se portas que estão fechadas»
A lista encabeçada por Tomé Panazeite foi a única a concorrer a estas eleições intercalares. A tomada de posse da nova Mesa Administrativa, do Conselho Fiscal e da vice-presidência da mesa da Assembleia-Geral está prevista para ocorrer no final da próxima semana ou no início da seguinte, ou seja, na primeira quinzena de setembro.
Memória e responsabilidade num organismo com mais de cinco séculos
A Santa Casa da Misericórdia de Serpa é uma instituição com mais de 500 anos de história no tecido social do concelho. Essa continuidade histórica esteve presente nas palavras do recém-eleito, que considerou imperativo não permitir o desaparecimento da instituição «de qualquer forma», apelando à necessidade de «arregaçar as mangas e avançar-se ao trabalho».
O episódio que antecedeu estas eleições — a demissão da anterior Mesa Administrativa — está ligado à proposta, rejeitada em assembleia, de uma gestão partilhada de valências com um grupo privado de saúde. Na altura, a provedora cessante, Maria Isabel Estevens, justificou a saída com a forma como a assembleia decorreu e com a convicção de que as condições da proposta poderiam ter sido revistas e melhoradas, algo que, segundo afirmou, não aconteceu.
- Instituição com mais de cinco séculos de atividade social em Serpa.
- Tomé Panazeite eleito com 49 dos 55 votos; tomada de posse prevista para a primeira quinzena de setembro.
- Contexto marcado pela demissão da anterior Mesa Administrativa e por debate sobre inclusão de gestão privada em valências.
A nova direção assume-se, assim, perante a comunidade local com uma agenda de intervenção imediata, mas dependente do acesso a documentação e informação interna que permitirá aferir o real estado financeiro e organizacional da Misericórdia. Para uma instituição cuja ação se estende por cuidados a maiores, resposta social e outras valências junto da população mais vulnerável, os próximos meses serão determinantes para clarificar rumos e restabelecer estabilidade.
Em Serpa, onde a memória coletiva integra as iniciativas de solidariedade e de apoio social da Santa Casa, a escolha do novo provedor é seguida atentamente por utentes, colaboradores e instituições parceiras. O desfecho das próximas semanas — com a tomada de posse e as primeiras medidas da nova Mesa — deverá iluminar a direção que a instituição tomará até ao final do mandato 2023/2026.
Reportagem pausada desde o Alentejo, onde as gentes e as organizações locais preservam histórias e laços que atravessam gerações, esperando agora ver renovada a capacidade de resposta de uma das suas instituições mais antigas.