Ao ritmo lento e sentido do Alentejo, a companhia Baal17, sediada em Serpa, estende esta semana a sua criação «A Bilha Quebrada» pelas aldeias do concelho. A peça, que estreou em maio, regressa agora em forma de digressão de teatro de rua, com apresentações programadas para cinco freguesias, sempre às 21:30.
Um espectáculo que procura provocar pensamento
«A Bilha Quebrada» é apresentada pela companhia alentejana como uma comédia que denuncia questões de grande actualidade: «a hipocrisia, a corrupção e o abuso de poder», e que lança ao público o desafio de reflectir «sobre a fragilidade da justiça e das instituições». Com encenação de Rui Ramos, o elenco conta com Bárbara Soares, Carolina Carvalhais, Filipe Seixas, Marco Ferreira, Marisela Terra, Miguel Magalhães, Pedro Ramos e Sandra Serra.
Para as populações do concelho, a circulação desta peça pelos espaços públicos das freguesias representa uma oportunidade de acesso directo à criação teatral local, fora dos centros urbanos e em horários adaptados à vida comunitária noturna do Alentejo.
Itinerário da digressão em Serpa
| Dia | Freguesia | Hora |
|---|---|---|
| Quarta-feira | Vila Verde de Ficalho | 21:30 |
| Quinta-feira | Vila Nova de São Bento | 21:30 |
| Sexta-feira | Vale de Vargo | 21:30 |
| Sábado | Pias | 21:30 |
| Domingo | Brinches | 21:30 |
Teatro de rua e memória coletiva
No Alentejo, a sua geografia e os ritmos das povoações condicionam também a fruição cultural. A Baal17 mantém uma trajectória ligada ao território, procurando aproximar o teatro das gentes e dos lugares onde a memória e a sociabilidade comunitária se cruzam.
Ao escolher apresentar uma comédia de rua que aponta a corrupção e o abuso de poder, a companhia segue uma tradição dramatúrgica que usa o riso para iluminar contradições e insuflar debate. A deslocação da cena para praças, ruas e largos permite que a representação entre nas conversas do café, nas tertúlias pós-espectáculo e nas reflexões das famílias que cruzam as portas das freguesias.
«Denuncia a hipocrisia, a corrupção e o abuso de poder»
Para além do conteúdo crítico, a logística de levar um espectáculo a cinco freguesias em dias consecutivos exige uma estrutura de produção alinhada com a realidade local — desde a montagem do espaço à adaptação das encenações a diferentes cenografias ao ar livre.
- Companhia: Baal17 – Companhia de Teatro, sediada em Serpa.
- Peça: «A Bilha Quebrada», com encenação de Rui Ramos.
- Elenco: Bárbara Soares, Carolina Carvalhais, Filipe Seixas, Marco Ferreira, Marisela Terra, Miguel Magalhães, Pedro Ramos e Sandra Serra.
Para os espectadores do concelho, estes espectáculos representam uma forma de reforçar o tecido cultural local, mantendo viva a relação entre arte e comunidade. A presença da Baal17 nas freguesias é também um lembrete de que, mesmo em tempos de mudanças, a companhia continua a apostar em peças que interrogam o presente e valorizam a memória das pequenas localidades.
Os bilhetes e as condições de acesso não foram especificados na divulgação do grupo, mas as actuações em espaço público costumam privilegiar a entrada livre ou preços simbólicos, facilitando a participação dos habitantes das freguesias anfitriãs.
Ao longo desta semana, Serpa e as suas freguesias voltam a ser palco de conversas e encontros impulsionados pelo teatro — um modo de trazer às ruas questões que, apesar de universais, tocam de perto a vida das comunidades alentejanas.