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Seia: PSD propõe programa regular de reuniões de Câmara descentralizadas pelas freguesias

O PSD de Seia apresentou uma proposta para que a Câmara Municipal realize, ao longo de dois anos, reuniões descentralizadas com periodicidade mínima mensal, integrando a iniciativa nas comemorações dos 50 anos do poder local democrático e sugerindo a primeira sessão para 12 de dezembro de 2026.

Seia: PSD propõe programa regular de reuniões de Câmara descentralizadas pelas freguesias
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

O PSD de Seia propôs esta semana que a Câmara Municipal retome um programa estruturado de reuniões descentralizadas pelas freguesias do concelho, com o objetivo declarado de aproximar o executivo das populações e de potenciar a participação cívica local. A iniciativa foi apresentada pelo vereador Paulo Hortênsio na última reunião camarária e visa assegurar uma presença regular do governo municipal «no terreno».

Proposta e calendário

Segundo a proposta, o programa deverá ter uma periodicidade mínima mensal e garantir que, ao longo de um período de dois anos, todas as freguesias do concelho recebam pelo menos uma sessão da Câmara. Sempre que possível, a deslocação às freguesias deverá ter lugar em datas com significado local — festas, romarias ou efemérides históricas — e incluir matérias da agenda com impacto direto no território anfitrião.

Elemento Proposta
Periodicidade Mensal (mínimo)
Duração do programa 2 anos
Objetivo Aproximar executivo e populações; rotatividade por todas as freguesias
Primeira sessão sugerida 12 de dezembro de 2026 (50.º aniversário das primeiras eleições autárquicas democráticas)

Motivações e proposta simbólica

Paulo Hortênsio enquadrou a iniciativa no contexto das comemorações do 50.º aniversário das primeiras eleições autárquicas democráticas, realizadas em dezembro de 1976. Na sua intervenção, o vereador defendeu que a descentralização «é colocar o executivo municipal no terreno, ouvir quem vive os problemas, decidir com quem sofre as consequências» — uma fórmula que sublinha o carácter performativo e prático da proposta.

«É colocar o executivo municipal no terreno, ouvir quem vive os problemas, decidir com quem sofre as consequências.»

Além da periodicidade e da rotatividade, a proposta inclui a integração da iniciativa denominada «Câmara nas Freguesias» no programa oficial das comemorações, com sugestões concretas como homenagens aos primeiros eleitos locais de 1976 e a apresentação de documentação histórica, fotografias e registos audiovisuais relacionados com o poder local no concelho.

Reacções e dúvidas

O presidente da Câmara, Luciano Ribeiro, admitiu o regresso das sessões descentralizadas, mas colocou questões sobre o efectivo impacto que esses encontros tiveram em experiências anteriores no concelho, nomeadamente quanto à participação popular e à eficácia prática das decisões tomadas fora da sede do município. A necessidade de avaliar custos logísticos, de preparar agendas ajustadas a cada território e de garantir condições técnicas e de segurança para reuniões públicas em espaços dispersos também foi sublinhada durante as intervenções.

A proposta do PSD abdica de detalhes financeiros ou metodológicos na fase inicial, privilegiando o quadro programático. Entre os pontos em aberto continuam a figura responsável pela logística das sessões, a periodicidade concreta das deslocações em meses de maior actividade festiva e os mecanismos de avaliação do impacto das reuniões descentralizadas na resolução de problemas locais.

Implicações para a participação local

O regresso regular das reuniões fora da sede municipal é, em si, uma medida que pode estimular uma relação mais directa entre cidadãos e responsáveis autárquicos, sobretudo em freguesias com menor acessibilidade aos serviços centrais. Em contexto académico e administrativo, experimentos semelhantes têm revelado efeitos mistos: aumento de visibilidade das questões locais, masámos exigência a organização logística e raramente uma transformação estrutural imediata nas políticas locais. No caso de Seia, a proposta assume contornos comemorativos e participativos, ao procurar ligar uma prática administrativa a um momento simbólico — o cinquentenário das eleições autárquicas democráticas.

  • Programa proposto com periodicidade mínima mensal durante dois anos.
  • Integração das sessões nas comemorações dos 50 anos do poder local democrático.
  • Questões pendentes sobre avaliação de impacto e custos logísticos.

A proposta segue agora para aprofundamento no âmbito dos órgãos camarários, onde será debatida a sua operacionalização. A decisão final determinará se as freguesias do concelho poderão, já em dezembro de 2026, receber a primeira sessão descentralizada sugerida pelo PSD.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

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