Política Vila Nova de Gaia Norte

PS propõe rede de guardas-noturnos para Vila Nova de Gaia para reforçar segurança local

O PS/Gaia vai levar ao executivo municipal a proposta de implantação de uma rede de guardas-noturnos no concelho, com apoio inicial da Câmara para fardamento, equipamento e cartões de identificação, e atuação articulada com juntas de freguesia e forças de segurança.

PS propõe rede de guardas-noturnos para Vila Nova de Gaia para reforçar segurança local
©Ilustração Paulo Sampaio Guimarães / we-news.com

Proposta visa complementar forças de segurança com presença de proximidade

O Partido Socialista de Vila Nova de Gaia apresenta na reunião privada do executivo da próxima terça-feira uma proposta para a criação de uma rede de guardas-noturnos no concelho, justificando a iniciativa com o aumento de relatos de insegurança nas últimas semanas. A concelhia sustenta que este modelo combina uma presença de proximidade com custos públicos reduzidos e poderá ser adaptado às realidades distintas do território gaiense.

Segundo o comunicado da concelhia, presidida pelo vereador João Paulo Correia, a proposta prevê que a Câmara municipal apoie o investimento inicial — nomeadamente o fardamento, o equipamento e o cartão de identificação — replicando, em traços gerais, a solução adotada noutros municípios do Grande Porto. O PS sublinha que o custo deste apoio é marginal face ao orçamento municipal, mas determinante para viabilizar o serviço.

«O PS propõe que a Câmara apoie o investimento inicial: fardamento, equipamento e cartão de identificação, à semelhança do que fez o Porto»

Modelo de financiamento e articulação institucional

Os socialistas defendem que o guarda-noturno é «um profissional independente» cuja remuneração resulta de contribuições voluntárias dos moradores e comerciantes das áreas cobertas, pelo que não implica um ónus estrutural para as contas da autarquia. A proposta inclui ainda que as áreas de intervenção sejam delineadas após auscultação das Juntas de Freguesia, das associações de moradores e das associações comerciais e, posteriormente, com a audição das forças de segurança, conforme o quadro legal vigente.

  • Investimento inicial proposto: fardamento, equipamento, cartão de identificação.
  • Financiamento da operação: contribuições voluntárias dos moradores e comerciantes.
  • Delimitação das áreas de atuação: em articulação com juntas, associações e forças de segurança.

Experiência local e exemplos em outros municípios

O PS recorda que Vila Nova de Gaia já teve uma experiência com guardas-noturnos: a partir de 2014 funcionou em Mafamude um serviço dessa natureza. A reutilização desse modelo, agora alargado ao concelho, é apresentada como uma opção para reforçar a sentinela comunitária durante a noite, sem pretender substituir as forças de segurança, cujo trabalho é realçado no comunicado.

Além da referência a experiências locais, o documento cita outros concelhos onde figuras semelhantes têm sido utilizadas, como o Porto e Gondomar, apontando para uma prática replicável na área metropolitana. A ideia central é que a figura do guarda-noturno «é segurança, mas é sobretudo comunidade», frase com que os socialistas sintetizam a intenção de criar laços de confiança entre quem vive e trabalha nas zonas abrangidas.

Elemento Observação
Fardamento Proposto como investimento inicial pela Câmara
Equipamento Incluído no apoio inicial para operacionalizar o serviço
Cartão de identificação Previsto para oficializar a presença dos guardas-noturnos
Financiamento corrente Remuneração por contribuições voluntárias dos residentes e comerciantes

Consequências para a gestão municipal e perguntas em debate

Se aprovada, a proposta implica decisões políticas e técnicas: delimitação de zonas prioritárias, definição de critérios de seleção e formação dos guardas-noturnos, mecanismos de articulação com PSP e GNR e a criação de canais formais de participação das juntas e das associações locais. Para os responsáveis do PS, a medida apresenta uma relação custo-benefício favorável e responde a um território com «realidades muito distintas» que exigem soluções locais.

Na prática, a iniciativa poderá provocar um debate mais alargado sobre prioridades na segurança pública e sobre o papel complementar que instrumentos comunitários podem ter face às forças de segurança tradicionais. Caberá agora à Câmara deliberar sobre a abertura do apoio inicial e sobre os contornos regulamentares já existentes, como referem os socialistas, que consideram disponível o regulamento necessário.

O tema deverá também suscitar questões entre comerciantes e moradores sobre a disposição para assumir contributos voluntários e sobre as garantias de coordenação operacional e legalidade do serviço. A proposta do PS coloca ainda no centro da discussão a tensão entre investimento público direto e modelos de financiamento misto com participação comunitária.

A decisão do executivo municipal na terça-feira será, portanto, um momento chave para aferir o grau de consenso em Gaia sobre uma solução que mistura segurança, proximidade e participação local.

Paulo Sampaio Guimarães
Paulo IA Correspondente no Porto online

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