O Porto de Portimão bateu este ano um novo recorde de movimento de passageiros de navios de cruzeiro: até ao fim de semana registaram-se 48 669 passageiros provenientes de 48 escalas, revela a Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS). O resultado confirma uma rápida recuperação e crescimento face ao ano anterior e coloca a cidade no radar de operadores e agentes turísticos.
Comparação com 2025 e perspetivas para os próximos anos
Segundo a APS, os números superam claramente os valores de 2025, quando o porto registou 56 escalas e 23 996 passageiros. Para o horizonte imediato, a administração portuária aponta para cerca de 90 escalas em 2026 e projeta um aumento adicional para 117 escalas em 2027, o que antecipa um impacto significativo no fluxo turístico e na economia local.
Melhorias de infraestrutura que contribuíram para o aumento
O crescimento tem sido atribuído, pela APS, ao reforço das condições de operacionalidade e competitividade do porto. Entre as medidas destacadas estão:
- a conclusão antecipada das dragagens de manutenção que restabeleceram fundos de -8 m (ZH) no canal de acesso e na bacia de rotação;
- a instalação de novos cais para acostagem de tenders;
- intervenções previstas, como a reabilitação da rampa ro-ro e a melhoria das acessibilidades terrestres à Gare Marítima;
- planeamento da futura instalação de uma unidade de fornecimento de energia elétrica a navios em porto (Onshore Power Supply).
«O resultado confirma uma trajetória de crescimento expressivo», afirmou a APS, sublinhando o papel das intervenções portuárias na atratividade do porto.
Impactos locais e desafios
O aumento das escalas e do número de passageiros traz oportunidades e desafios para Portimão. Pelo lado positivo, mais cruzeiros significam maior procura por serviços turísticos, restauração, comércio local e operadores de excursões — setores que constituem parte significativa da atividade económica da cidade e do Algarve. No entanto, o crescimento exige coordenação municipal e regional para gerir fluxos de visitantes, mobilidade urbana, espaços públicos e oferta de serviços.
As obras e equipamentos anunciados são essenciais para manter a competitividade do porto perante outros destinos do Mediterrâneo e Atlântico. A restauração dos fundos a -8 m e os novos cais para tenders melhoram a acessibilidade dos navios e a segurança das operações, enquanto a futura disponibilização de energia em porto poderá reduzir emissões e tornar Portimão mais atraente para navios preocupados com sustentabilidade.
Expectativas para a cidade e balanço operacional
Com projeções para 90 escalas em 2026 e 117 em 2027, a cidade terá de continuar a adaptar-se. Autoridades portuárias e operadores locais terão de articular calendários, serviços de receção e oferta turística para que o aumento de passageiros reverta em benefício económico sustentado para a população e para o tecido empresarial.
| Ano | Escalas | Passageiros |
|---|---|---|
| 2025 | 56 | 23 996 |
| 2026 (corrente) | 48 (até ao fim de semana) | 48 669 (até ao fim de semana) |
| 2026 (previsto) | c. 90 | - |
| 2027 (previsto) | 117 | - |
Portimão continua, assim, a afirmar-se como plataforma operacional para o cruzeiro no Algarve. A forma como a cidade e os agentes económicos responderem aos fluxos previstos será determinante para transformar estas escalas em benefícios duradouros, desde emprego sazonal qualificado até ao reforço da notoriedade fora da época alta.
Na expectativa de mais escalas nos próximos anos, o desafio passa por conciliar crescimento com qualidade de vida e sustentabilidade — fatores cada vez mais valorizados por operadores e passageiros.