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Portalegre recebe cluster ibérico para atrair indústrias de defesa e tecnologias avançadas

O projeto Industrial Portugal Gateway será apresentado em Portalegre e pretende instalar empresas estrangeiras ligadas à indústria de defesa, beneficiando da localização junto à fronteira e de apoios para territórios de baixa densidade.

Portalegre recebe cluster ibérico para atrair indústrias de defesa e tecnologias avançadas
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Portalegre volta a colocar-se no mapa da atração empresarial com o lançamento do Industrial Portugal Gateway, um cluster ibérico destinado a apoiar a instalação e o desenvolvimento de empresas ligadas à indústria de defesa, tecnologias de dupla utilização e produção industrial avançada. A apresentação do projeto está marcada para 25 de setembro, nas instalações do Núcleo Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR).

Uma aposta na fronteira e na disponibilidade territorial

Promovido pela Luso Defense Group com a participação do NERPOR, o cluster vai fazer de Portalegre o seu primeiro território de implantação e terá uma base operacional nas instalações da associação empresarial local. Segundo o presidente do NERPOR, Tiago Braga, a escolha da cidade decorre da «localização» fronteiriça, da disponibilidade territorial e da capacidade de acolhimento empresarial do distrito.

O projeto propõe-se a «ajudar empresas que estão fora do mercado europeu a instalarem-se no mercado europeu», nas palavras de Tiago Braga, que sublinha também a vantagem de Portalegre enquanto território de baixa densidade beneficiário de fundos europeus e nacionais destinados a promover a coesão territorial.

«É um ‘cluster’ distrital. Nós vamos trabalhar o distrito de Portalegre e só indústrias muito específicas que precisam de estar mais perto do litoral, aí, sim, ponderamos trabalhar com outros concelhos fora do distrito de Portalegre que é a base.»

Negociações com empresas internacionais e objetivos

De acordo com a informação divulgada, decorrem negociações avançadas com empresas originárias da Tailândia, Malásia, China e Chipre. Os promotores defendem que, face ao atual ambiente geopolítico e às necessidades de defesa da Europa, existe um mercado apetecível para empresas de fora do continente que desejam ter acesso ao mercado europeu.

Os intervenientes destacam ainda que Portugal oferece mecanismos de atração, nomeadamente fundos que favorecem territórios de baixa densidade e que tornam Portalegre «duplamente favorecida» pela proximidade relativa tanto a Lisboa como a Madrid. A estratégia anunciada visa, assim, não só atrair investimento estrangeiro, como também criar uma alavanca para o desenvolvimento industrial e tecnológico do distrito.

Impacto local e desafios

Para a região, a instalação de um cluster com estas características pode significar estímulos à qualificação da mão-de-obra, diversificação da base empresarial e maior dinâmica na procura de serviços e infraestruturas. Mas a iniciativa coloca também desafios: será necessário articular ofertas formativas, logística e incentivos locais para responder às exigências de empresas industriais avançadas e de defesa.

O NERPOR, enquanto anfitrião, assume a função de interlocutor local e disponibiliza as suas instalações como base operacional, o que pode facilitar os primeiros contactos entre promotores e investidores. A posição geográfica de Portalegre, contígua a Espanha, é apontada como um fator estratégico que pode potenciar ligações ibéricas e rotas de fornecimento transfronteiriças.

  • Apresentação do projeto: 25 de setembro, no NERPOR
  • Promotor principal: Luso Defense Group
  • Parte envolvida localmente: NERPOR
  • Empresas em negociação: interesses vindos da Tailândia, Malásia, China e Chipre
ElementoDetalhe
Nome do projetoIndustrial Portugal Gateway
Local de implantaçãoPortalegre (base no NERPOR)
Áreas-alvoIndústria de defesa, tecnologias de dupla utilização, produção industrial avançada
Data de apresentação25 de setembro

O anúncio revela uma tentativa concertada de posicionar Portalegre como um pólo de atração para setores de elevada especialização. Resta agora acompanhar a concretização das negociações e verificar em que medida os compromissos anunciados se traduzirão em projetos instalados, postos de trabalho e cadeias de valor locais. A persistência de recursos financeiros destinados a territórios de baixa densidade e a capacidade de resposta local serão determinantes para o êxito desta aposta.

Num território que valoriza há muito a memória das suas gentes e das suas instituições, a chegada de um cluster com vocação ibérica abre uma nova página. A economia local observa, com atenção, um movimento que pode redefinir, a médio prazo, a relação entre Portalegre e a indústria tecnológica e de defesa na Europa.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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