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Portalegre: prorrogação de Almaraz até 2030 reacende receios junto à fronteira

O Governo espanhol autorizou a continuação de funcionamento dos dois reactores de Almaraz até junho de 2030. A central, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com o distrito de Portalegre, já excedeu a sua vida útil e tem um historial de incidentes técnicos, facto que motivou reações políticas em Portugal e junto da União Europeia.

Portalegre: prorrogação de Almaraz até 2030 reacende receios junto à fronteira
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

O anúncio recente da prorrogação da licença de exploração da Central Nuclear de Almaraz até junho de 2030 voltou a colocar o tema da segurança nuclear no topo das preocupações em concelhos do distrito de Portalegre situados junto à fronteira. Para muitos habitantes destas terras, a notícia confirma uma inquietação antiga: a central, em funcionamento desde 1981, já ultrapassou a vida útil inicialmente estimada em 40 anos e encontra‑se instalada junto ao rio Tejo, numa zona que as autoridades consideram de risco sísmico.

O que mudou na calendarização de encerramento

O prolongamento foi formalizado pelo Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, alterando o plano anteriormente acordado entre as elétricas proprietárias — Iberdrola, Endesa e Naturgy — e os prazos definidos no protocolo de desativação. As datas de paragem progressiva previstas no protocolo tinham marcado o fim das operações da Unidade I e da Unidade II para 2027 e 2028, respetivamente; a nova portaria adiou esse horizonte até meados de 2030, condicionando a continuidade ao cumprimento das regras de proteção radiológica.

Marcos Data original Data atual
Entrada em funcionamento 1981 —
Vida útil prevista 40 anos —
Encerramento Unidade I Novembro de 2027 Junho de 2030
Encerramento Unidade II Outubro de 2028 Junho de 2030

Reações políticas em Portugal e na União Europeia

O prolongamento ocorre num contexto de forte contestação política em Portugal. Incidentes técnicos recentes registados em poucos dias motivaram interpelações ao nível europeu e nacionais. Eurodeputados portugueses, de diferentes forças políticas, questionaram a Comissão Europeia sobre as condições de segurança da central e sobre as diligências do Governo português para acelerar o seu desmantelamento.

Em Lisboa, o Parlamento aprovou por larga maioria uma resolução que recomenda ao Executivo português uma intervenção diplomática urgente junto de Madrid, no sentido de «exigir o encerramento definitivo de Almaraz». Esta resolução reuniu um consenso transversal incomum, sendo subscrita por partidos de espectros políticos distintos.

«Exigir o encerramento definitivo de Almaraz»

Implicações locais no distrito de Portalegre

Para as populações do Alto Alentejo, a central é a infraestrutura nuclear espanhola mais próxima, situada a cerca de 100 quilómetros da fronteira com o distrito de Portalegre. Essa proximidade torna as decisões sobre o calendário de exploração relevantes para a perceção de risco das comunidades locais, para as autoridades municipais e para os serviços regionais de proteção civil e ambiente.

Representantes locais e a sociedade civil têm, nos últimos anos, acompanhado com atenção os desenvolvimentos em torno de Almaraz. A persistência de avarias técnicas no complexo energético e as sucessivas retificações quanto ao encerramento previsto criam um cenário de incerteza que repercute na confiança pública e na exigência por maior transparência e colaboração transfronteiriça.

  • Almaraz está em funcionamento desde 1981 e já excedeu a vida útil projetada.
  • A prorrogação até junho de 2030 foi autorizada pelo ministério espanhol competente, a pedido das empresas proprietárias.
  • O Parlamento português aprovou uma resolução que pede intervenção diplomática para o encerramento definitivo.

Na tessitura lenta e paciente do território alentejano, onde se guardam memórias de fronteira e se pesa com cuidado cada notícia que vem do outro lado, esta decisão de Madrid alimenta debates sobre segurança, cooperação e responsabilidade ambiental. O horizonte agora estendido obriga a uma vigilância mais atenta das autoridades portuguesas e a um diálogo claro entre os dois países, de que dependem medidas de proteção que inquietam quem vive e trabalha no distrito de Portalegre.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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