Saúde Portalegre Alentejo

Portalegre enfrenta novo encerramento da urgência de obstetrícia e reclama-se contratação urgente

O Movimento Democrático das Mulheres critica a «interrupção recorrente» da urgência de obstetrícia do Hospital de Portalegre, que está encerrada até terça-feira, e exige abertura permanente e reforço de profissionais.

Portalegre enfrenta novo encerramento da urgência de obstetrícia e reclama-se contratação urgente
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

O encerramento temporário da urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, suscitou esta semana críticas públicas do Núcleo de Portalegre do Movimento Democrático das Mulheres (MDM), que classificou a situação como uma «interrupção recorrente» de um serviço considerado essencial para a população do distrito.

Preocupação face à «interrupção recorrente»

Em comunicado, a estrutura local do MDM manifestou «profunda preocupação» com o novo encerramento — anunciado como estando em vigor até terça‑feira — e avisou para os riscos que esta instabilidade acarretará para grávidas e recém‑nascidos. O movimento sublinha que a suspensão intermitente das urgências obriga a «deslocações longas, inseguras e muitas vezes realizadas em momentos críticos», agravando desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.

«A maternidade não pode fechar quando mais precisamos dela. A interrupção recorrente deste serviço essencial coloca em risco a saúde e a vida de grávidas e bebés.»

O MDM acusa ainda os encerramentos de configurarem, na prática, uma «violência obstétrica estrutural», por aumentarem a incerteza no momento do parto e por condicionarem direitos básicos das mulheres no distrito.

Reivindicações e pedidos ao SNS

Entre as reivindicações formuladas pelo Núcleo de Portalegre do MDM destacam‑se:

  • a abertura permanente, 24 horas por dia, das urgências obstétricas do hospital de Portalegre;
  • a contratação urgente de profissionais de saúde para assegurar o funcionamento sustentado do serviço;
  • o reforço do Serviço Nacional de Saúde, público, universal e gratuito, e o fim dos encerramentos rotativos de serviços.

O movimento apela também à valorização do planeamento familiar e da saúde materna enquanto prioridades políticas e conclui com um convite à mobilização da população e das entidades responsáveis para «pôr fim a esta situação inaceitável».

Repercussões locais e incógnitas

O comunicado do MDM refere consequências práticas e sociais para o distrito, sem, no entanto, especificar números sobre transferências de parturientes nem alternativas logísticas já em uso por utentes ou serviços. Na sexta‑feira, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo havia anunciado informações sobre a urgência obstétrica — notícia que motivou o comentário do MDM — mas o teor dessa comunicação pública não foi detalhado no comunicado do movimento citado.

À medida que se conheçam esclarecimentos oficiais da ULS sobre a duração do encerramento, as modalidades de encaminhamento de parturientes e eventuais medidas de reforço de recursos humanos, o impacto directo nas populações rurais do distrito ficará mais perceptível. Até lá, mantém‑se a apreensão expressa por organizações que acompanham a defesa dos direitos das mulheres.

Quadro sintético das reivindicações

Problema apontado Pedido do MDM
Encerramentos intermitentes da urgência Abertura permanente (24h)
Escassez de profissionais Contratação urgente de recursos humanos
Desigualdades territoriais no acesso Reforço do SNS público, universal e gratuito

O episódio reacende um debate mais amplo sobre a sustentabilidade dos serviços de saúde em territórios do interior, onde a distância e a dispersão populacional tornam críticos os pontos de atendimento com capacidade permanente. A voz do MDM traduz hoje a inquietação das famílias e profissionais que acompanham partos e cuidados maternos em Portalegre e no Alto Alentejo, exigindo respostas claras e imediatas das autoridades de saúde.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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