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Portalegre: deputados do Chega questionam atraso no apoio aos combustíveis às corporações

O grupo parlamentar do Chega interpôs um requerimento na Assembleia da República após alertas da Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre sobre dificuldades financeiras de associações e possível suspensão de serviços de transporte de doentes.

Portalegre: deputados do Chega questionam atraso no apoio aos combustíveis às corporações
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Os alertas lançados pela Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre sobre a situação financeira de várias associações humanitárias trouxeram a tema, na última semana, a demora no pagamento de um apoio extraordinário destinado a compensar o aumento dos custos com combustíveis. O grupo parlamentar do Chega apresentou um requerimento na Assembleia da República em que pede esclarecimentos ao Ministro da Administração Interna sobre o estado dos pagamentos.

Alarmes locais e pedido de explicações

Segundo o documento entregue pelos deputados do Chega, a Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre alertou, numa intervenção à Rádio Portalegre, para uma «situação financeira particularmente grave em várias associações», referindo que algumas estariam «

à beira da falência
» devido ao aumento das despesas com combustíveis. No requerimento, os parlamentares evocam esse testemunho e solicitam ao governo informação detalhada sobre os pagamentos do apoio criado pelo Estado.

O apoio e os atrasos denunciados

Os deputados recordam que o Decreto-Lei n.º 80-A/2026, de 31 de março, instituiu um apoio extraordinário para compensar a subida do preço dos combustíveis utilizados no período de abril a junho de 2026. Uma posterior Declaração de Rectificação (n.º 14/2026/1) veio explicitar que o apoio também abrange os veículos de transporte de doentes.

No entanto, e apesar de já terem decorrido vários meses sobre os consumos elegíveis, o requerimento refere que as associações abrangidas ainda não terão recebido as compensações correspondentes a esse período. Face a isso, o Chega pede ao Governo que detalhe:

  • quantas associações humanitárias já receberam o apoio;
  • qual o montante total pago até ao momento;
  • quanto permanece por pagar;
  • no distrito de Portalegre, quais as associações apoiadas e os montantes atribuídos a cada uma;
  • as razões para eventuais atrasos e calendário previsto para regularização dos pagamentos.

Impacto operacional em Portalegre

O requerimento traz exemplos concretos do impacto do aumento dos custos: aponta para um acréscimo nas faturas quinzenais de combustível de cerca de €7.000 para aproximadamente €9.000. Os deputados citam ainda que algumas tipologias de transporte de doentes já eram deficitárias antes da recente subida de preços. A Federação terá admitido a possibilidade de suspensão de determinadas tipologias de transporte, nomeadamente serviços relacionados com altas hospitalares, caso não surjam soluções que garantam a sustentabilidade financeira desses serviços.

Período / Elemento Valor (exemplo citado)
Fatura quinzenal de combustível (antes) €7.000
Fatura quinzenal de combustível (agora) €9.000

O que está em causa para a população

Para a população do distrito de Portalegre, a paralisação ou restrição de transportes de doentes representaria um efeito direto no acesso aos cuidados de saúde, em particular nas altas hospitalares e em deslocações regulares que muitas vezes dependem das associações locais. Mesmo sem números finais de pagamentos divulgados pelo Governo no requerimento, a existência de um apoio legalmente previsto para o período de abril a junho e a sua alegada não entrega a tempo são motivos de apreensão entre as corporações e os utentes.

O pedido de esclarecimentos do Chega à tutela enquadra-se num conjunto de iniciativas parlamentares cujo objetivo é clarificar procedimentos e calendarização de pagamentos. Resta saber agora se o Governo dará resposta detalhada aos pontos colocados, nomeadamente sobre a lista de associações e os montantes atribuídos no distrito de Portalegre, e que medidas temporárias poderão ser implementadas para evitar cortes de serviços essenciais enquanto os processos administrativos não estiverem regularizados.

Na paisagem ampla e calma do Alentejo, as vozes das corporações voluntárias —quelas que transportam doentes, respondem a incêndios e moldam a vida das comunidades— voltam a lembrar que a sustentabilidade financeira das associações é também uma questão de segurança colectiva.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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