O Partido Comunista Português (PCP) formalizou junto da Assembleia da República uma pergunta dirigida à ministra da Saúde sobre a situação da Santa Casa da Misericórdia de Serpa e o futuro do Hospital de São Paulo. A iniciativa, proveniente da Direção concelhia do partido, pede esclarecimentos e intervenção do Estado face ao quadro que o PCP considera de «insustentabilidade» financeira e institucional.
Risco sobre respostas de saúde e apoio social
Na pergunta entregue no Parlamento, o PCP alerta para as dificuldades que estão a afetar vários serviços da instituição, nomeadamente o próprio hospital, a Unidade de Cuidados Continuados, o lar e o Serviço de Apoio Domiciliário. Este último acompanha, segundo a nota do partido, mais de 100 utentes, sublinhando a escala do impacto potencial sobre a população local.
«A situação financeira e institucional da Santa Casa é insustentável», diz o PCP, que aponta para «dificuldades financeiras, problemas laborais e assistenciais» e uma instituição em «enorme fragilidade».
O partido recorda ainda que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a alertar para os riscos associados ao modelo que transferiu a gestão do Hospital de São Paulo para a Misericórdia. Na opinião do PCP, os problemas agora verificados confirmam as apreensões sobre esse processo e colocam em causa a continuidade das respostas de saúde no concelho.
Recusa de solução privada e apelo ao Estado
Em julho, os associados da Santa Casa rejeitaram uma proposta de gestão partilhada com um grupo privado de saúde que contemplava respostas sociais e de saúde. O PCP defende que essa decisão deve ser respeitada e que a resolução da crise não pode passar pela entrega dos serviços a interesses privados.
- Serviços em risco: Hospital de São Paulo, Unidade de Cuidados Continuados, Lar, Serviço de Apoio Domiciliário;
- Utentes do apoio domiciliário: mais de 100 pessoas afectadas;
- Preocupações apontadas: dificuldades financeiras, problemas laborais e assistenciais.
Para os comunistas, compete à Administração Central assumir responsabilidades no financiamento e na garantia dos cuidados de saúde, afirmando que a solução não pode ficar apenas entregues a utentes, movimentos de cidadãos ou às autarquias locais. O PCP pede também a responsabilização política por opções que, na sua leitura, conduziram ao atual cenário, incluindo intervenções de ex-responsáveis do Ministério da Saúde.
Consequências locais e ambiente político
A notícia da interpelação parlamentar surge num momento de apreensão entre profissionais e utentes locais, já que a perda ou degradação de serviços hospitalares e sociais teria efeitos imediatos no quotidiano do concelho de Serpa e das freguesias vizinhas. A União das forças políticas locais, a administração da Misericórdia e a tutela central enfrentam agora a necessidade de clarificar soluções que garantam a continuidade dos cuidados.
| Serviço | Situação referida |
|---|---|
| Hospital de São Paulo | Risco de continuidade associado à crise financeira e institucional |
| Unidade de Cuidados Continuados | Incluída nas respostas em causa |
| Lar | Serviço social em risco |
| Serviço de Apoio Domiciliário | Mais de 100 utentes acompanhados; possível impacto direto |
Sem medidas concretas por parte do Governo, o PCP advoga o regresso da gestão hospitalar ao Serviço Nacional de Saúde como forma de assegurar o financiamento estável e a tutela pública dos serviços essenciais. A pergunta enviada à ministra da Saúde solicita, assim, esclarecimentos e medidas que evitem a degradação de respostas essenciais à população do concelho.
O desfecho político e administrativo deste processo será observado com atenção pelas famílias, profissionais de saúde e agentes sociais de Serpa, onde a memória das instituições e a voz das gentes do Alentejo esperam por soluções que preservem o acesso próximo aos cuidados e a sustentabilidade das respostas sociais.