Investigação de cerca de um ano levou a detenções e buscas em várias localidades
A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda, deteve, no início desta semana, 20 pessoas — 17 homens e três mulheres — por suspeitas de integrarem um grupo organizado que fornecia estupefacientes aos estabelecimentos prisionais da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego.
A operação, identificada como «Tranca Segura», teve o apoio do Corpo de Guardas Prisionais e da direção do Estabelecimento Prisional da Guarda, e começou a ser investigada há cerca de um ano na sequência de ações de prevenção e apreensões de droga detectadas dentro do estabelecimento prisional da Guarda.
«Forneciam, de forma organizada, estupefacientes para os Estabelecimentos Prisionais da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego»
Segundo a PJ, os detidos estão indiciados por crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida. A investigação iniciou-se após a detecção de várias tentativas de introdução de drogas em contexto prisional, tendo sido efetuadas detenções sequenciais de suspeitos no momento em que pretendiam fazer entrar estupefacientes no cárcere.
Modus operandi e áreas de atuação
Durante a investigação foram identificadas técnicas diversas de ocultação e transporte, incluindo o transporte de pólen de haxixe no interior do corpo, a dissimulação de cocaína no interior de um rolo de carne e a impregnação de drogas sintéticas em mensagens escritas — descritas pela PJ como alegadas mensagens de crianças em papel.
A actividade do grupo não se limitava às tentativas de introdução de estupefacientes nos estabelecimentos prisionais; a Judiciária apurou também que os elementos do grupo distribuíam esses mesmos produtos ilícitos nas comunidades onde residiam, com referência explícita às cidades da Guarda e Viseu.
Cumprimento de mandados e apreensões
No âmbito da operação, a PJ deu cumprimento a 23 mandados de busca, domiciliários e não domiciliários, e realizou 19 mandados de detenção. Foram igualmente efetuadas buscas nas prisões da Guarda, Coimbra e Lamego, com a participação de equipas especializadas.
- Detidos: 20 (17 homens e 3 mulheres)
- Mandados de busca: 23
- Mandados de detenção cumpridos: 19
- Apresentação: os detidos estão a ser presentes ao DIAP da Guarda
A operação conduziu também a apreensões significativas, tanto em material estupefaciente como em bens e meios relacionados com a actividade criminosa. No total, foram recolhidos numerários, droga, armas e material para dosagem e comunicação.
| Itens apreendidos | Quantidade |
|---|---|
| Dinheiro | cerca de 81 000 euros |
| Doses individuais de heroína | 80 |
| Doses de cocaína | 120 |
| Papéis impregnados com estupefacientes | 7 |
| Armas de fogo | 2 |
| Munições | 71 |
| Balancas de precisão | 4 |
| Telemóveis | 31 |
| Viaturas | 3 |
Consequências processuais e implicações locais
Os 20 detidos estão a ser presentados ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Guarda, que tutela o inquérito. A natureza e a gravidade das imputações — tráfego agravado, associação criminosa e branqueamento — apontam para um processo que poderá envolver diligências complementares de conjunto probatório e medidas de coação severas.
Para Lamego, a operação impõe uma atenção reforçada sobre as vias de entrada de estupefacientes nos estabelecimentos prisionais e sobre eventuais ramificações locais da distribuição de droga. As detenções e apreensões decorreram no âmbito de uma investigação que visou desmantelar uma estrutura organizada com atuação em várias localidades, pelo que a cooperação entre forças policiais e serviços prisionais assume particular relevância para prevenir novas tentativas de introdução de substâncias ilícitas.
As autoridades locais permanecem atentas aos desdobramentos do processo e à eventual identificação de outros envolvidos ou de circuitos logísticos que possam ter afetado a segurança das comunidades e dos próprios estabelecimentos prisionais.