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Operação em Guarda desmonta rede que abastecia prisões da região com droga

A Polícia Judiciária da Guarda deteve 20 pessoas e apreendeu drogas e numerário numa investigação que aponta para um recluso da cadeia de Guarda como líder de uma rede que introduzia estupefacientes em vários estabelecimentos prisionais do Centro.

Operação em Guarda desmonta rede que abastecia prisões da região com droga
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

Investigação coordenada revela esquema organizado de tráfico direcionado a reclusos

A Polícia Judiciária (PJ) da Guarda desmantelou, entre segunda e terça-feira, uma rede de tráfico de estupefacientes que abastecia várias prisões da Região Centro, numa operação que culminou com a detenção de 20 pessoas e com apreensões de droga e numerário em quantidade considerada expressiva pelas autoridades.

A investigação — designada internamente como Operação “Tranca Segura” — apurou que o esquema era liderado por um único recluso preso na cadeia da Guarda, que dirigia as operações a partir do estabelecimento prisional. Para além da cadeia de Guarda, estavam implicadas as prisões de Viseu, Coimbra e Lamego.

«Operação “Tranca Segura” resultou ainda na apreensão de 80 doses de heroína, 120 de cocaína e sete papéis impregnados, aparentemente, com “K4”.»

Segundo o apurado, entre os elementos detidos há 17 homens e 3 mulheres, que já começaram a ser ouvidos em primeiro interrogatório. Estão indiciados pelos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida.

Modalidades, substâncias e impacto nas prisões

As apreensões confirmam a existência de um circuito logístico que permitia a entrada de estupefacientes no interior das cadeias da região. Além da heroína e da cocaína, foram recolhidos papéis impregnados com uma substância aparentemente identificada como K4, um canabinóide sintético associado a surtos psicóticos em contextos prisionais.

  • Líder identificado: recluso preso na cadeia da Guarda, com alegadas ligações ao Peru.
  • Estabelecimentos afetados: cadeias de Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego.
  • Indícios recolhidos: tráfico agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida.

O coordenador da PJ da Guarda informou, em declarações ao NOW, que a quantidade de dinheiro vivo apreendida surpreendeu os inspetores, sem, no entanto, ser divulgada uma cifra oficial nessa comunicação preliminar. As autoridades destacaram a natureza altamente organizada da rede e as relações internacionais que indiciam uma operacionalidade além-fronteiras, nomeadamente com ligações apontadas ao Peru.

Dados da operação

Item Quantidade
Doses de heroína 80
Doses de cocaína 120
Papéis impregnados (aparente K4) 7
Detidos 20 (17 homens, 3 mulheres)

As autoridades salientam que a presença de canabinóides sintéticos como o K4 em cartas ou papéis destinados a reclusos tem sido responsabilizada por episódios de intoxicação e surtos psicóticos em vários estabelecimentos prisionais no país. A descoberta de cartas impregnadas com esta substância reforça a gravidade das vias de introdução de droga detectadas.

Consequências jurídicas e operacionais

Os detidos começam agora a ser ouvidos, num processo que deverá prosseguir com a recolha de prova documental, financeira e telemática, visando desmantelar a estrutura de coordenação e os circuitos logísticos utilizados. As autoridades indicaram que os factos levantam também suspeitas de branqueamento de capitais, dado o montante de numerário apreendido durante as buscas.

Para a comunidade prisional da região, a operação representa um passo significativo no combate às redes que alimentam mercados internos dentro das cadeias. Para a cidade da Guarda, onde se localiza um dos estabelecimentos centrais na investigação, a ação evidencia a vulnerabilidade de sistemas prisionais a estruturas criminosas que operam a partir do interior dos próprios estabelecimentos.

A investigação prossegue sob a tutela do Ministério Público, com possíveis desdobramentos em inquéritos adicionais para apurar a extensão das ligações internacionais e a existência de outros facilitadores externos. A PJ da Guarda manterá, segundo a comunicação inicial, operações de monitorização enquanto decorrem os procedimentos judiciais e as instruções formais do processo.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

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