XP mantém Moura Dubeux na lista de preferidas, mas reduz previsões para 2026
Lisboa — A casa de investimentos XP Investimentos manteve as construtoras Cyrela, Lavvi e Moura Dubeux entre as suas principais preferências no sector, apesar de ter revisto em baixa as estimativas para 2026. A correção de expectativas reflecte um quadro marcado por estoques elevados em São Paulo, ritmo de vendas mais lento e a persistência de taxas de juro em patamares elevados.
Num relatório citado pelo mercado, a XP apontou que os níveis de stock na cidade de São Paulo «não apresentaram melhora relevante desde o início do ano» e que a velocidade de vendas sobre oferta (SoS) tem vindo a deteriorar-se. Este conjunto de factores, aliado às incertezas decorrentes do cenário eleitoral e da política fiscal, levou a instituição a reduzir as suas projeções agregadas para lançamentos e vendas líquidas em 2026.
- Preferências mantidas: Cyrela, Lavvi e Moura Dubeux.
- Razões da revisão: estoques elevados em São Paulo; diminuição do SoS; juros altos; incertezas eleitorais e fiscais.
- Impacto nas estimativas: XP reduziu projeções agregadas para 2026; exclusão da Moura Dubeux nas médias levou a variações de -4% em lançamentos e -12% em vendas líquidas.
Em termos específicos, a XP manteve a recomendação de compra para a Cyrela, ainda que com um preço-alvo revisto de R$ 42 para R$ 37. A corretora justificou a manutenção da preferência pela empresa com a sua «força operacional», apesar das dificuldades sentidas no primeiro semestre no segmento de alta renda. A Cyrela tem, segundo o relatório, vindo a melhorar a sua atuação no segmento de baixa renda, o que contrabalança em parte o desempenho mais fraco das joint ventures observadas no período.
«Após praticamente dobrar o volume de lançamentos nos últimos dois anos, a XP espera uma fase de forte crescimento da receita até 2027», refere o relatório consultado.
O documento também antevê que, depois do período de aceleração, a Cyrela deverá estabilizar o seu ritmo de crescimento, suportada por margens brutas mais elevadas e uma geração de caixa mais favorável. A XP projeta para a empresa um ROE de 19% em 2027 e um múltiplo de 4,6 vezes o lucro estimado para esse ano.
| Elemento | Comentário da XP |
|---|---|
| Estoques em São Paulo | Sem melhoria relevante desde o início do ano |
| Velocidade de vendas (SoS) | Deterioração observada |
| Projeções 2026 | Redução agregada: lançamentos (-4%) e vendas líquidas (-12%) excluindo Moura Dubeux |
Para leitores e investidores que acompanham empresas com presença no mercado financeiro, a sinalização da XP sublinha a cautela com que a indústria tem de encarar o actual ciclo económico: a combinação de stocks elevados, abrandamento da procura e a manutenção de juros elevados cria um ambiente de maior selectividade e revisão de expectativas.
Na paisagem mais ampla do sector, a manutenção de Moura Dubeux entre as preferências da XP é um reconhecimento da posição relativa da empresa no mercado seguido pela corretora, mas a revisão geral das estimativas alerta para uma conjuntura menos favorável em 2026. Para quem segue as variações de recomendação e preço-alvo das casas de análise, as decisões traduzem a necessidade de olhar com prudência para as perspectivas de crescimento de receita e para a geração de caixa nos próximos anos.
O mercado imobiliário brasileiro, particularmente em centros urbanos como São Paulo, continua assim no centro das atenções dos investidores e das casas de análise, que ajustam as suas avaliações face a indicadores de oferta, procura e custo do dinheiro.