Em Montemor-o-Novo, a discussão sobre o futuro económico volta a centrar-se na capacidade de atrair investimento e de alargar a base industrial do território. Durante a sua intervenção na Feira da Luz/EXPOMOR 2026, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), Ricardo Pinheiro, sublinhou que o concelho reúne condições relevantes para assumir um papel na estratégia regional de desenvolvimento industrial.
Localização e infraestruturas como factores decisivos
Para o representante da CCDR, a decisão de instalação de grandes projectos internacionais não se reduz a apetites de mercado, mas assenta em critérios objectivos: disponibilidade de energia eléctrica, redes de gás, comunicações de banda larga e proximidade às redes ferroviária e rodoviária, bem como a existência de áreas destinadas à instalação de empresas. Destacou, em particular, a relação de Montemor-o-Novo com a A6 como um elemento de vantagem competitiva.
«Claramente que naquilo que são os grandes critérios para esta escolha, Montemor é um território que, para já, está muito próximo da A6, beneficiou aqui também por essa proximidade».
O reconhecimento dessas condições coloca o concelho numa posição a considerar nas estratégias de captação de investimento para o Alentejo, ainda que, segundo Ricardo Pinheiro, seja necessário trabalhar para reforçar a capacidade regional de acolher projectos industriais de maior dimensão.
Transformação agroindustrial: uma oportunidade com raízes locais
Se Montemor-o-Novo já possui uma presença consolidada em determinadas actividades industriais, a economia local continua fortemente marcada pelo sector agrícola. Foi neste ponto que o presidente da CCDR centrou parte das perspectivas: a transformação agroindustrial surge como uma área com potencial de crescimento, tendo em conta a presença de matérias‑primas e as dinâmicas locais de produção.
Ricardo Pinheiro referiu que é preciso perspectivar e planear zonas industriais capazes de acolher actividades de transformação da produção agrícola, integrando infraestruturas e serviços que respondam às exigências logísticas e tecnológicas desses investimentos. As zonas industriais são, na sua visão, instrumentos de planeamento e de visão para o futuro do Alentejo.
- Critérios apontados para atração de investimento: energia, gás, banda larga, acessibilidades ferroviárias e rodoviárias, áreas industriais.
- Vantagem de Montemor-o-Novo: proximidade à A6 e presença de actividades agrícolas com potencial de transformação.
- Prioridade regional: reforçar capacidade de acolhimento de projectos industriais no Alentejo.
A intervenção, proferida durante um certame em que o universo rural e empresarial do concelho se faz sentir, traça um caminho de reforço da dimensão industrial que não ignora as características profundas do território: a agricultura continua a ser, nas palavras do responsável, «o sector agrícola aquele que eu vejo com maior pujança, maior projecção no território».
| Critério | Relevância para Montemor-o-Novo |
|---|---|
| Proximidade rodoviária (A6) | Vantagem competitiva destacada |
| Energia eléctrica / gás | Critério fundamental para grandes projectos |
| Banda larga e comunicações | Necessário para atração de investimentos tecnológicos |
O apelo da CCDR não é apenas técnico. É também uma chamada à articulação entre planeamento municipal, estratégias regionais e oferta de espaços para empresas. A ideia subjacente é clara: sem zonas industriais planeadas e com condições, a transformação agroindustrial e outros projectos de maior escala terão dificuldade em fixar‑se e criar emprego sustentável.
Para Montemor-o-Novo, a discussão coloca o desafio de conciliar a preservação das suas referências rurais e paisagísticas com a necessidade de criar condições para actividades industriais que acrescentem valor à produção local. Só assim será possível traduzir a pujança agrícola do concelho em cadeias de valor que gerem riqueza e emprego na região.
Nos próximos meses, a atenção local vai centrar‑se nas decisões de planeamento territorial e nas iniciativas que promovam infraestruturas e áreas industriais adequadas. A intervenção da CCDR relembra que a aposta não se faz apenas com declarações, mas com políticas públicas, investimento em infraestrutura e disponibilidade de solos industriais que correspondam aos critérios que as empresas internacionais hoje exigem.