Em plena edição da Feira da Luz/Expomor 2026, a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo assumiu o pagamento de 17.000 euros por um espetáculo piromusical que decorreu no recinto da feira, segundo informação pública sobre os custos associados ao evento.
Contrato por ajuste direto e empresa contratada
O serviço foi adjudicado em regime de ajuste direto à empresa Pyroflash Pyrothecnic’s Concept&Production, Unipessoal Lda, sociedade com um capital social declarado de 1.000 euros. A contratação foi efetuada pela autarquia presidida por Carlos Pinto Sá, eleito pelo CDU.
«Um espetáculo piromusical a realizar no âmbito da Feira da Luz/Expomor 2026 custa aos cofres da autarquia 17.000€»
Fontes locais referem ainda que esta intervenção pirotécnica esteve pouco visível nos canais digitais do município e que a sua menção não sobressaiu na programação pública da feira, apesar de integrar o cartaz.
Comparações orçamentais dentro da Feira
O custo do piromusical torna-se mais significativo quando confrontado com outras despesas do evento. Na lista de honorários e serviços divulgada constam valores que revelam prioridades diferentes em termos de programação musical e infraestruturas:
- Carlão: 36.000€
- Ana Moura: 34.500€
- Sara Correia: 30.000€
- Os Santos e Pecadores: 22.500€
- Espetáculo piromusical: 17.000€
- RFM (espetáculo): 10.500€
Para além dos custos com artistas, o município revelou encargos significativos com estruturas e iluminação: o aluguer, montagem e desmontagem de palcos e estruturas foi contabilizado em 10.931€, enquanto a iluminação do espaço totalizou 43.860€ e a iluminação decorativa atingiu 56.772€.
Dados resumidos
| Descrição | Valor (€) |
|---|---|
| Espetáculo piromusical | 17.000 |
| Aluguer e montagem de estruturas | 10.931 |
| Espetáculo Carlão | 36.000 |
| Espetáculo Ana Moura | 34.500 |
| Espetáculo Sara Correia | 30.000 |
| Iluminação do espaço | 43.860 |
| Iluminação decorativa | 56.772 |
Os números divulgados colocam a pirotecnia ao nível de um investimento considerável em animação, embora abaixo dos valores pagos a alguns cabeças-de-cartaz, e acima de outros custos ligados à operação do evento.
Contexto local e questões que se levantam
Montemor-o-Novo vive, nesta primeira semana de setembro, a dinâmica anual da Feira da Luz, uma iniciativa que combina tradição agropecuária, atividades culturais e espetáculos. A opção por um espetáculo piromusical e o respetivo montante suscitam, contudo, questões sobre critérios de adjudicação, publicidade e prioridade orçamental, sobretudo num concelho onde as opções de gasto municipal são seguidas de perto pelas comunidades locais e agentes económicos.
Além da dimensão financeira, há também um aspeto de comunicação: a pouca divulgação do espetáculo nos canais oficiais da Câmara coloca um foco sobre a transparência na informação prestada aos munícipes sobre como são alocados os recursos públicos durante eventos de grande afluência.
Enquanto decorre a Feira, com um programa que inclui concertos, mostras agropecuárias e atividades diversas para todas as idades, a divulgação dos custos e a comparação entre rubricas financeiras alimentam o diálogo público sobre a gestão cultural e a valorização do património imaterial da cidade.
Observadores locais e participantes do sector cultural poderão acompanhar nas próximas semanas eventuais explicações da autarquia sobre a escolha do fornecedor e as condições do contrato, bem como a justificação da relação custo/benefício de iniciativas de grande impacto simbólico, como os espetáculos pirotécnicos.