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Marinha Grande promove visita às arribas calcárias de São Pedro de Moel com fósseis de 200 milhões de anos

O Município da Marinha Grande organizou um passeio interpretativo entre a Praia Velha e São Pedro de Moel, orientado por um especialista da Universidade de Coimbra, que permitiu observar afloramentos calcários do Jurássico Inferior e discutir a preservação do património geológico local.

Marinha Grande promove visita às arribas calcárias de São Pedro de Moel com fósseis de 200 milhões de anos
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

Passeio interpretativo guia público pelo património jurássico

O Município da Marinha Grande promoveu um passeio na natureza intitulado «As Arribas Calcárias de São Pedro de Moel – Histórias Geológicas com 200 Milhões de Idade», que levou dezenas de participantes a percorrer o troço entre a Praia Velha e São Pedro de Moel. A iniciativa integrou o programa de sensibilização ambiental associado à Bandeira Azul e centrou-se na interpretação dos afloramentos calcários que datam do Jurássico Inferior.

Orientado por Luís Vítor Duarte, da Universidade de Coimbra, o percurso permitiu aos presentes observar in loco a estrutura das arribas, conhecer a origem destes depósitos e reconhecer a riqueza fossilífera do local. Os registos geológicos existentes em São Pedro de Moel são considerados, segundo a iniciativa, uma referência nacional para o estudo de períodos marinhos antigos, com abundância e diversidade de fósseis de organismos que habitaram os mares jurássicos.

«As Arribas Calcárias de São Pedro de Moel – Histórias Geológicas com 200 Milhões de Idade»

Importância científica e ambiental

O reconhecimento de São Pedro de Moel como sítio de interesse paleontológico e geológico tem implicações práticas para a gestão do território. Além do valor científico para investigadores e estudantes, a presença de afloramentos fossilíferos expõe a área a riscos de degradação por erosão natural e pressões antrópicas, o que torna a sensibilização pública uma componente essencial para a sua conservação.

A inclusão da atividade no programa da Bandeira Azul sublinha a ligação entre praias de qualidade e a necessidade de proteger os elementos naturais que lhes conferem valor geológico e patrimonial. Para além da observação directa das arribas, o passeio funcionou como plataforma de divulgação científica, apoiando a compreensão pública sobre processos geológicos complexos — desde a formação das arribas ao registo fóssil que preservam.

Agenda e continuidade

O programa de atividades prossegue em setembro com duas ações já anunciadas pelo município:

  • 12 de setembro – Palestra «A Geologia de São Pedro de Moel: Histórias de Mares e Mariscos»;
  • 13 de setembro – Nova edição do passeio «As Arribas Calcárias de São Pedro de Moel – Histórias Geológicas com 200 Milhões de Idade» (inscrições gratuitas, mas obrigatórias).
DataAtividadeInscrição
12 de setembroPalestra sobre geologia localambiente@cm-mgrande.pt
13 de setembroPasseio interpretativo (Praia Velha–São Pedro de Moel)ambiente@cm-mgrande.pt

O município solicita inscrições através do endereço eletrónico ambiente@cm-mgrande.pt, sublinhando que as vagas são gratuitas mas sujeitas a registo prévio. A organização não divulgou números precisos de capacidade para as sessões futuras, mas a referência a «dezenas de participantes» para a edição realizada indica uma adesão significativa por parte da comunidade.

Consequências locais e desafios de preservação

Para Marinha Grande, a valorização das arribas constitui uma oportunidade dupla: por um lado, reforça o potencial educativo e científico do concelho; por outro, coloca a necessidade de políticas locais de conservação mais explícitas, quer na monitorização dos afloramentos quer na gestão do impacto turístico. A divulgação científica, como a promovida nesta ação, é um instrumento central para mitigar danos involuntários e mobilizar voluntariado e projetos de investigação sobre a erosão costeira e a preservação de fósseis.

O reconhecimento nacional destes afloramentos traz também responsabilidade: a gestão sustentável do sítio exige coordenação entre a Câmara Municipal, investigadores, autoridades costeiras e a comunidade local, de forma a conciliar acesso público e salvaguarda do património geológico.

Esta iniciativa em São Pedro de Moel insere-se num quadro mais amplo de sensibilização ambiental que a Bandeira Azul procura promover, mostrando como a interpretação científica no terreno pode aproximar públicos não especializados de conceitos geológicos e paleontológicos que, de outra forma, permanecem confinados a ambientes académicos.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

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