O Município da Marinha Grande vai proceder, no final de agosto, à instalação de uma rede de 152 armadilhas destinada ao controlo de escolitídeos que atacam o pinheiro-bravo, anunciou a autarquia por comunicado. A ação integra a Operação Integrada de Gestão da Paisagem (OIGP 2.0) e surge como resposta direta ao risco fitossanitário agravado pela queda de material lenhoso provocada pela tempestade Kristin.
Objectivos e método
As armadilhas têm como finalidades centrais a monitorização e a redução da população de escolitídeos — insetos que atacam preferencialmente árvores fragilizadas ou recentemente afetadas — e que aceleram a degradação das árvores e a emergência de outras patologias bióticas na floresta. Segundo a nota enviada à agência, os dispositivos serão colocados de forma estratégica nas áreas identificadas com maior nível de risco no concelho.
Operacionalização e prazos
Todos os dispositivos estarão identificados e serão objeto de duas ações de monitorização até ao dia 15 de novembro, data limite para a sua remoção do terreno, adianta a autarquia. A Câmara alerta ainda para a existência de um rótulo em cada armadilha que avisa para a presença de um atrativo químico no interior, pelo que recomenda à população que não manuseie nem o dispositivo nem o conteúdo.
- Quantidade de armadilhas: 152
- Programa: OIGP 2.0
- Monitorizações previstas: duas até 15 de novembro
- Financiamento: Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)
«A colocação desta rede de dispositivos tem como finalidades principais a monitorização e a redução da população desta espécie.»
Financiamento e enquadramento
O projecto de prevenção de riscos bióticos é financiado ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), enquadrando-se nas medidas mais amplas de gestão da paisagem que visam reduzir riscos posteriores a fenómenos climáticos extremos. A operação é apresentada pela Câmara como uma resposta técnica à acumulação de material lenhoso e ao aumento do risco fitossanitário após a tempestade Kristin.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Armadilhas | 152 |
| Monitorizações | 2 (até 15/11) |
| Remoção final | 15 de novembro |
| Financiamento | PRR |
Contexto local e implicações
Os escolitídeos são considerados um agente secundário que, em condições favoráveis — como árvores já debilitadas por tempestades, incêndios ou cortes mal conduzidos —, pode provocar prejuízos significativos à estrutura e resiliência das populações de pinheiro. A intervenção prevista pela autarquia pretende, por isso, actuar numa fase de prevenção e vigilância, em vez de apenas numa lógica de reparação após a ocorrência de morte massiva de árvores.
Para os moradores da Marinha Grande, a presença dos dispositivos implica duas consequências práticas: a necessidade de respeitar os avisos e não manusear as armadilhas, dado o atrativo químico que contêm; e a existência de dados de monitorização que poderão orientar futuras medidas de gestão florestal no concelho. A recolha de informação resultante desta operação deverá contribuir para um planeamento mais informado das intervenções e para a priorização de áreas estratégicas.
A Câmara Municipal, ao integrar esta medida na OIGP 2.0 com fundos do PRR, insere a iniciativa numa matriz de recuperação pós-evento meteorológico que combina ações de campo, monitorização e financiamento comunitário, procurando reduzir riscos bióticos e proteger a paisagem florestal que caracteriza parte significativa do território do concelho.