A fábrica da Stellantis em Mangualde atingiu, no dia 2 de setembro, o marco simbólico de 2.000.000 veículos produzidos desde o início da atividade, em 1964. A viatura que assinalou a homenagem foi um Citroën ë‑Berlingo Van, 100% elétrico, de cor cinzenta e edição especial Berlingo 30 anos, destinada a um cliente nacional da região de Leiria.
Um percurso industrial de mais de seis décadas
A história da unidade remonta a 1962, quando foi fundada sob a designação Citroën Lusitânia, iniciando a produção em 1964 com o icónico Citroën 2 CV AZL. Ao longo dos anos, a fábrica montou modelos que marcaram a indústria nacional — entre eles o DS, o Méhari, o AX e o Saxo — e ficou conhecida por fabricar, a 27 de julho de 1990, o último 2CV do mundo.
Na viragem da década de 1990, a unidade entrou numa nova fase com o início, em 1998, da produção dos modelos Berlingo e Peugeot Partner, evoluindo para um foco crescente em veículos comerciais ligeiros. Desde então tem integrado linhas para produtos térmicos e elétricos de várias marcas do grupo.
Impacto económico e perfil produtivo
Segundo os dados divulgados, a fábrica conta com cerca de 900 colaboradores diretos e gera aproximadamente 1.000 empregos indiretos na região. A unidade tem uma orientação fortemente exportadora: cerca de 95% da produção destina‑se a mercados externos, e estima‑se que 27% dos veículos vendidos em Portugal sejam fabricados em Mangualde.
- Marco produzido: 2.000.000 de veículos
- Viatura simbólica: Citroën ë‑Berlingo Van 100% elétrico
- Emprego: 900 diretos; ~1.000 indiretos
- Exportação: 95% da produção
«Atingir o marco dos 2 milhões de veículos produzidos é um testemunho vivo do rigor, da paixão e do empenho de várias gerações de colaboradores em Mangualde. Este feito pertence a toda a nossa equipa e demonstra o papel fulcral que esta fábrica desempenha no ecossistema industrial da Stellantis e no tecido económico de Portugal. Continuamos focados em liderar a transição para a mobilidade elétrica, combinando a nossa rica tradição com a constante inovação e sustentabilidade», afirmou Múcio Brasileiro, Diretor do Centro de Produção de Mangualde da Stellantis.
Transição para a mobilidade elétrica e novos programas
O marco dos dois milhões surge numa fase em que a unidade acelera a transição tecnológica: a fábrica tem vindo a adaptar processos e a integrar plataformas destinadas à mobilidade elétrica. Desde junho, as linhas de Mangualde integram a produção da nova Smart Compact Van, ao lado das variantes elétricas do portefólio Citroën/Peugeot. A viatura simbólica — um ë‑Berlingo Van totalmente elétrico — sublinha a estratégia de especialização progressiva em veículos de emissões reduzidas.
Este movimento tecnológico tem implicações imediatas para o território: além da manutenção dos postos de trabalho existentes, a mudança para modelos elétricos costuma implicar novas exigências ao nível da qualificação técnica dos colaboradores, da cadeia de fornecimento local e da logística de componentes. Para Mangualde e para a Região Centro, essas dinâmicas representam tanto desafios como oportunidades de agregação de valor industrial.
Marcos e memória
O percurso de Mangualde integra marcos históricos que ultrapassam a produção corrente. A fábrica passou por diferentes eras — desde os modelos lendários que ajudaram a definir a cultura automóvel em Portugal até ao papel atual no conjunto da Stellantis na Europa — mantendo, ao longo de seis décadas, uma presença contínua no mapa industrial nacional.
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1962 | Fundação como Citroën Lusitânia |
| 1964 | Início da produção com o 2 CV AZL |
| 1990 | Produção do último 2CV (27 de julho) |
| 1998 | Início da produção do Berlingo e Partner |
| 2026 | 2.000.000º veículo produzido (Citroën ë‑Berlingo Van) |
A celebração do marco servirá, para além do reconhecimento simbólico, como ponto de partida para avaliar os impactos futuros da descarbonização do setor automóvel na economia local. Para Mangualde, a fábrica continua a ser um eixo estruturante da atividade económica e um fator determinante na identidade industrial do concelho e da região.