SMAS de Leiria avançam com investimentos após falha generalizada no fornecimento
Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Leiria (SMAS) vão avançar com a compra de geradores e com um reforço das comunicações internas como resposta direta ao impacto registado pela depressão Kristin, que a 28 de janeiro deixou milhares de consumidores do concelho sem água devido a falhas no fornecimento elétrico e na telegestão.
Em comunicado e declarações públicas, a administração dos SMAS detalhou que o plano contempla, numa primeira fase, a aquisição de cerca de 16 geradores e as obras de adaptação das instalações necessárias para os receber e tornar o sistema capaz de operar de forma autónoma perante falta de energia. O investimento estimado para esta primeira etapa situa‑se na ordem dos meio milhão de euros, correspondente aos geradores e às adaptações infraestruturais.
O responsável máximo pela entidade explicou que, posteriormente, será implementada uma segunda fase para dotar as restantes infraestruturas do município com meios semelhantes. Os geradores previstos poderão ser amovíveis, permitindo deslocá‑los entre pontos diferentes em função das necessidades e dos locais afetados por cortes na rede elétrica.
«A nossa intenção é que este concurso possa ser lançado o mais rapidamente possível, ainda este ano ou no início do próximo ano», declarou a administração.
Além da capacidade de geração de energia, os SMAS estão a proceder a um estudo de redundância nas telecomunicações. A preocupação não é apenas garantir energia de emergência, mas também manter operacionais os sistemas de telegestão e de comunicações que permitem monitorizar e gerir remotamente as redes de água e saneamento.
- Primeira fase: aquisição de cerca de 16 geradores e adaptação de instalações.
- Investimento estimado: cerca de 500.000 euros para geradores e obras associadas.
- Plano para comunicações: estudo de redundância que poderá implicar cerca de 250.000 euros.
- Procedimento concursal em preparação com lançamento previsto ainda este ano ou no início do próximo.
Consequências locais e operacionalidade
Para residentes e empresas do concelho de Leiria, estes investimentos visam reduzir a vulnerabilidade do abastecimento de água a falhas externas no fornecimento elétrico e aos efeitos combinados de cortes de energia e falhas nas comunicações. A experiência da depressão Kristin revelou lacunas operacionais que impediam a manutenção imediata do serviço de água quando a telegestão ficou comprometida.
Os geradores amovíveis oferecem flexibilidade operacional: podem ser instalados temporariamente em pontos críticos da rede ou deslocados consoante a necessidade, uma solução que procura conciliar eficiência de custos com cobertura geográfica. Já a redundância nas comunicações, com recurso a sistemas autónomos via rádio, pretende assegurar que a monitorização e os comandos remotos se mantenham activos mesmo quando a rede pública de telecomunicações for afetada.
| Item | Valor / Descrição |
|---|---|
| Número de geradores (1.ª fase) | ~16 |
| Custo estimado (geradores e adaptações) | ~500.000 euros |
| Investimento previsto em comunicações | ~250.000 euros (estimativa em estudo) |
Os responsáveis dos SMAS afirmaram que o procedimento concursal está a ser preparado e que a intenção é lançar o concurso «o mais rapidamente possível», o que aponta para uma calendarização que pode contemplar adjudicações já nos próximos meses. Não foram, contudo, divulgados no detalhe os prazos de execução das obras nem os locais específicos onde os geradores serão inicialmente instalados.
Do ponto de vista técnico e de planeamento, a intervenção combina medidas de curto prazo — assegurar energia de backup — com estratégias de resiliência operacional de médio prazo, através da duplicação de vias de comunicações e da mobilidade dos equipamentos de emergência. Para a população, o objetivo é claro: reduzir o risco de cortes prolongados no abastecimento de água em cenário de eventos extremos ou avarias generalizadas na rede elétrica.
A depressão Kristin revelou a sensibilidade das infraestruturas municipais face a fenómenos meteorológicos severos e impulsionou este conjunto de medidas que, segundo a administração dos SMAS, visam tornar o sistema mais autónomo e robusto num concelho cuja densidade populacional e actividade económica exigem níveis elevados de continuidade do serviço.