Ranchos do concelho visitam utentes e dinamizam atividades tradicionais
A Câmara Municipal de Leiria lançou este ano a iniciativa «Memórias em festa», que junta os 20 ranchos folclóricos do concelho com mais de duas dezenas de lares e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Promovida em parceria com os próprios grupos etnográficos, a ação arrancou em março e prolonga‑se até ao fim do ano, com o objetivo declarado de usar o património cultural imaterial como instrumento de inclusão social e de valorização das memórias locais.
Segundo a autarquia, o projeto visa «proporcionar experiências de convívio, bem‑estar e valorização da memória coletiva». Em prática, isso tem significado que os ranchos se desloquem trajados às instituições, apresentem danças e cantares tradicionais e dinamizem atividades que evocam saberes e vivências de outras épocas.
«proporcionar experiências de convívio, bem‑estar e valorização da memória coletiva»
Até ao momento foram realizadas cinco sessões por outros tantos grupos, com atuações em lares e centros de apoio distribuídos pelo concelho. A lista de ranchos que já participaram inclui o Roda Viva (Telheiro, Maceira), o Rancho da Região de Leiria, os Ranchos dos Soutos e da Caranguejeira, a Juventude Amiga dos Conqueiros (Souto da Carpalhosa) e as Rosas do Liz (Carreira). As instituições que receberam as primeiras intervenções foram a Academia de Maceira, o Lar do Arrabal, o Lar Padre Jacinto António Lopes (Souto da Carpalhosa), a Liga Social Campos do Lis e a Residencial Bem‑Estar da Carreira.
Atividades para além da dança: jogos, lengalengas e artesanato
O projeto não se limita às atuações cénicas. Conforme explicou à organização Adélio Amaro, consultor para a Cultura Popular do município, as sessões também têm servido para contar histórias, recuperar lengalengas, ensinar jogos tradicionais e partilhar ofícios e técnicas de artesanato. Estas componentes visam estimular a memória afetiva dos participantes e favorecer momentos de interação entre gerações.
- 20 ranchos folclóricos do concelho envolvidos;
- 21 IPSS previstas no programa (um dos ranchos fará duas atuações);
- 5 sessões realizadas até à data.
| Elemento | Quantidade |
|---|---|
| Ranchos participantes | 20 |
| IPSS abrangidas | 21 |
| Sessões realizadas | 5 |
A escolha das instituições a visitar e das datas das sessões é coordenada por cada grupo etnográfico de acordo com a disponibilidade e as condições logísticas. Por isso, a maior parte das intervenções tem decorrido ao fim‑de‑semana, quando os ranchos têm maior facilidade de deslocação e de mobilização de trajes e adereços.
Património imaterial como fator de inclusão
Na nota divulgada pela Câmara, o projeto é apresentado como uma forma de reconhecer os ranchos do concelho «como parceiros fundamentais na preservação e transmissão das tradições e da identidade cultural leiriense». A iniciativa procura, por um lado, reforçar a vivência comunitária nos lares e, por outro, garantir que as práticas etnográficas — danças, cantares, jogos e saberes artesanais — não se perdem no tempo.
Para agentes culturais e responsáveis pelas IPSS, este tipo de ações traz uma forte componente participativa: os utentes são convidados a recordar, a partilhar memórias, a aprender ou a rever práticas que marcaram as suas vidas. Em contexto de envelhecimento demográfico, intervenções que estimulem a memória e o convívio assumem uma dimensão social e terapêutica relevante, ainda que o projeto se apresente sobretudo como uma ação cultural e comunitária.
Ao alargar‑se até ao final do ano, o «Memórias em festa» promete cobrir todo o concelho e envolver a generalidade dos grupos folclóricos locais. A continuidade destas iniciativas e a integração das valências culturais no trabalho das instituições sociais representam um esforço concertado para manter viva a ligação entre identidade local e bem‑estar das populações mais idosas.