Falta de financiamento deixa empresas da Região de Leiria em situação de incerteza
A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIM) revelou esta terça‑feira que cerca de 100 empresas afetadas pela depressão Kristin apresentaram candidaturas elegíveis ao apoio da Linha Reindustrializar, mas não receberam financiamento por esgotamento das verbas disponíveis. O alerta foi feito no final de uma reunião da CIM, em Leiria, pelo seu presidente, Jorge Vala.
«Há cerca de 100 empresas que fizeram candidaturas ao plano de apoio da tempestade Kristin [...] mas estão em ‘overbooking’ por falta de verba»
O presidente da CIM sublinhou a necessidade de um reforço financeiro que permita a aprovação destas candidaturas, dirigindo um apelo explícito ao ministério da Economia e ao Banco Português de Fomento. As empresas em causa pertencem a diversos sectores e distribuem‑se, em maior número, pelos concelhos de Leiria e Marinha Grande, mas também há casos noutros municípios que integram a CIM.
Impacto económico e risco de perda de capacidade produtiva
Segundo Jorge Vala, tratar‑se‑á, em muitos casos, de processos de recuperação e reforço de resiliência. Algumas empresas acometeram investimentos que ficaram interrompidos pela tempestade, outras já recorreram a financiamentos bancários ou a tesouraria própria para manter operações. Ainda assim, a falta de apoios públicos coloca em risco a continuidade de entidades mais frágeis: a perda de uma empresa tem impacto directo no tecido económico local e a saída de várias poderá agravar significativamente a conjuntura regional.
- Quantidade de candidaturas elegíveis sem financiamento: cerca de 100 empresas.
- Principais concelhos mais afectados: Leiria e Marinha Grande, com casos noutros municípios da CIM.
- Entidades envolvidas no apelo por reforço de verbas: Ministério da Economia e Banco Português de Fomento.
Contexto institucional e territorial
A CIM da Região de Leiria integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós. O surto de preocupações manifestado na reunião em Leiria reflecte uma leitura partilhada pelos autarcas sobre a necessidade de medidas adicionais para mitigar os estragos causados pela depressão meteorológica e garantir a retoma rápida da actividade económica.
| Item | Dados conhecidos |
|---|---|
| Candidaturas elegíveis sem financiamento | ~100 empresas |
| Municípios da CIM | Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós |
Consequências práticas e solicitações dos autarcas
Os autarcas e a CIM defendem que é «fundamental» que as candidaturas sejam aprovadas e que haja um reforço dos fundos disponíveis. A falta de liquidez pública para este programa específico traduz‑se numa situação de «overbooking», expressão usada pelo presidente da CIM, que resume a incapacidade do actual envelope financeiro em responder à totalidade de pedidos elegíveis. Sem esse reforço, algumas empresas, sobretudo as que enfrentam maior tempo de paragem ou que já apresentavam fragilidades financeiras, correm risco de encerramento.
Para além do apelo ao Governo e ao Banco Português de Fomento, a questão coloca um desafio mais vasto sobre a coordenação entre níveis de administração e instrumentos financeiros para responder a catástrofes naturais e garantir a continuidade do tecido produtivo, particularmente em regiões com concentração industrial como a zona de Leiria e Marinha Grande.
Num território onde a actividade empresarial é um dos pilares do emprego e da coesão económica, as decisões sobre o reforço ou não das verbas terão reflexos imediatos na recuperação pós‑Kristin e na capacidade de reactivar investimentos interrompidos, pelo que a questão permanecerá na agenda das próximas reuniões intermunicipais e dos contactos com o Governo.