O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) lançou um apelo para que a população deixe de alimentar patos e outras aves selvagens com pão em lagos, rios e jardins. A recomendação, divulgada nas redes sociais da entidade, sublinha que o gesto aparentemente benigno pode ter consequências negativas para a saúde das aves, para a qualidade da água e para o equilíbrio dos ecossistemas urbanos — realidades que interessam diretamente a residentes e visitantes de Lagos.
Por que o pão faz mal às aves
Segundo o ICNF, o pão funciona como uma fonte de «calorias vazias»: enche temporariamente os animais, mas não lhes fornece os nutrientes necessários para uma alimentação equilibrada. Quando os patos se habituam a receber comida das pessoas, deixam de procurar as suas fontes naturais de alimentação — plantas aquáticas, insectos e larvas — e tornam‑se mais dependentes da presença humana.
«calorias vazias»
Essa dependência pode ter efeitos clínicos e comportamentais. O instituto aponta a ocorrência da denominada síndrome da «Asa de Anjo», uma deformação das asas que prejudica a capacidade de voo, sobretudo em aves jovens. A alimentação inadequada e repetida compromete também o desenvolvimento e a resistência a doenças.
Efeitos na água e no ambiente urbano
Os problemas não se restringem à fauna. O pão não consumido acumula‑se nas margens e na água e, à medida que se decompõe, consome oxigénio, contribuindo para a deterioração da qualidade da água. O excesso de matéria orgânica favorece o crescimento de algas e microrganismos indesejáveis, criando condições prejudiciais para peixes, aves e outros organismos aquáticos.
- Risco de doenças: o ICNF alerta para a possibilidade de botulismo aviário, que pode ser fatal.
- Alteração de comportamentos: aves mais confiantes em relação a humanos e perda de hábitos naturais de procura de alimento.
- Atração de vetores: restos alimentares podem atrair ratos e outros animais oportunistas, expondo ninhos e crias a novos perigos.
Para uma cidade turística como Lagos, onde jardins, áreas ribeirinhas e espaços de lazer junto à água são pontos de encontro de residentes e visitantes, estas alterações têm impacto direto na qualidade do espaço público e na experiência dos turistas. A acumulação de alimentos e resíduos pode ainda afetar a imagem dos locais considerados cartão‑postal.
O que é aconselhado
O ICNF recomenda que o público deixe de alimentar aves selvagens com pão e recorra a alternativas apenas quando estritamente necessárias e indicadas por especialistas. O melhor alimento para as aves é aquele que encontram na natureza, e a promoção de práticas de observação e de respeito pelos ciclos naturais é preferível a gestos de ajuda pontual que acabam por ser prejudiciais.
| Problema | Consequência |
|---|---|
| Pão alimentado por humanos | Dependência alimentar; défices nutricionais |
| Acumulação de restos | Degradação da qualidade da água; proliferação de algas |
| Resíduos atraindo oportunistas | Aumento de predadores e vetores (ratos); risco para crias |
As autoridades locais, organizações ambientais e gestores de espaços verdes dispõem de oportunidades para informar o público — por exemplo através de sinalética nos parques e campanhas de sensibilização junto de hotéis, operadores turísticos e escolas. A mudança de hábitos entre visitantes e moradores pode ser determinante para preservar a fauna urbana e a qualidade ambiental das zonas húmidas de Lagos.
Enquanto destino que equilibra turismo e natureza, Lagos beneficia de práticas sustentáveis que protegem a biodiversidade e melhoram a experiência pública. Reduzir gestos bem intencionados mas nocivos, como dar pão aos patos, é um passo simples e eficaz nessa direção.