O Juntos Pelo Povo (JPP) voltou a criticar publicamente, este domingo, a atuação do Governo Regional da Madeira relativamente ao apoio humanitário prometido às vítimas dos sismos na Venezuela, afirmando que a verba anunciada de 150 mil euros ainda não foi disponibilizada.
Num comunicado divulgado na Região, o secretário-geral do partido, Élvio Sousa, diz ter contactado «responsáveis de várias instituições venezuelanas e representantes das comunidades em Caracas», que teriam confirmado a ausência de qualquer transferência financeira do executivo madeirense. A promessa do Governo, segundo o JPP, foi feita a 10 de julho de 2026 pelo presidente do Governo Regional.
«É uma tremenda falta de consideração e de credibilidade para com a comunidade luso-venezuelana»,
declara Élvio Sousa no comunicado, criticando o que descreve como incumprimento e lentidão nas diligências que deveriam acompanhar uma situação de emergência internacional.
Reacção da oposição e contexto político
O JPP, que detém 11 dos 47 deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, considera a falta de entrega da verba «lamentável» e «vergonhosa», colocando em causa a palavra do executivo liderado por Miguel Albuquerque (PSD/CDS-PP). No comunicado, o partido recorda que o presidente do Governo Regional havia anunciado a libertação dos fundos e ainda a possibilidade de um reforço conforme as necessidades identificadas no terreno.
Para o JPP, o caso não é apenas uma questão técnica, mas afecta directamente a credibilidade institucional da Região e o sentimento de apoio perante a comunidade madeirense e luso-venezuelana que vive fora de Portugal. Élvio Sousa sublinha que, em situações de calamidade, a rapidez na entrega dos apoios é fundamental.
Experiência local como referência
No comunicado, o líder do JPP evoca a sua experiência em funções executivas na freguesia de Gaula durante episódios críticos, como o aluvião de 2010 e os incêndios de 2012. Argumenta que, nessas ocasiões, promessas externas não foram suficientes para acelerar a resposta local, defendendo que a acção imediata e concertada é imprescindível para minimizar o sofrimento das populações afectadas.
Sem, no entanto, apresentar documentos públicos que comprovem a alegada ausência de transferência, o JPP afirma ter verificado junto de instituições e líderes comunitários em Caracas a inexistência de qualquer verba recebida em resultado do anúncio regional.
Elementos factuais e prazos
- Data do anúncio do Governo Regional: 10 de julho de 2026;
- Montante prometido: 150 000 euros;
- Estado alegado pelo JPP: nenhum euro recebido pelas instituições contactadas na Venezuela, quase dois meses após a promessa.
| Data | Evento |
|---|---|
| 10/07/2026 | Anúncio público da libertação de €150 000 pelo Governo Regional |
| 23/08/2026 | Comunicado do JPP alegando que «nem um euro» foi recebido em Caracas |
O caso abre um leque de questões práticas e políticas: quais os mecanismos utilizados para enviar o apoio (transferência direta, via ONG parceiras ou através de embaixadas), a calendarização da operação e a transparência no seguimento dos fundos públicos destinados a uma emergência no estrangeiro.
Até ao momento da publicação desta peça, o Governo Regional da Madeira não apresentou uma reação oficial ao comunicado do JPP. A ausência de resposta pública por parte do executivo tende a aumentar as dúvidas levantadas pela oposição, sobretudo sobre os prazos e vias de envio da ajuda anunciada.
Impacto na comunidade luso-venezuelana
Na Madeira, a questão mobiliza sensibilidade, dada a presença de uma comunidade luso-venezuelana com laços familiares e afectivos na Região. Para muitos madeirenses com familiares na Venezuela, a promessa de apoio assumida pelo Governo representava um sinal de solidariedade que, segundo a crítica do JPP, ainda não se traduziu em resultados tangíveis no terreno.
Se confirmado o incumprimento, o episódio deverá ser levado ao debate na Assembleia Legislativa da Madeira, onde o JPP poderá exigir explicações formais sobre os mecanismos financeiros e os prazos de execução da ajuda humanitária.
Nas semanas que se seguem, a transparência sobre o destino dos recursos e a clareza sobre o processo de envio serão determinantes para acalmar apreensões e restabelecer a confiança, tanto entre os partidos como entre a própria comunidade que esperava ver a solidariedade regional transformada em assistência concreta.
Ricardo Freitas Câmara, correspondente na Madeira