Política Funchal Madeira

JPP acusa Governo da Madeira de não ter transferido os €150 mil prometidos às vítimas na Venezuela

O Juntos Pelo Povo afirma que, quase dois meses depois da promessa feita a 10 de julho, «nem um euro» chegou ao terreno; oposição questiona celeridade e credibilidade do executivo regional.

JPP acusa Governo da Madeira de não ter transferido os €150 mil prometidos às vítimas na Venezuela
©Ilustração Ricardo Freitas Câmara / we-news.com

O Juntos Pelo Povo (JPP) voltou a criticar publicamente, este domingo, a atuação do Governo Regional da Madeira relativamente ao apoio humanitário prometido às vítimas dos sismos na Venezuela, afirmando que a verba anunciada de 150 mil euros ainda não foi disponibilizada.

Num comunicado divulgado na Região, o secretário-geral do partido, Élvio Sousa, diz ter contactado «responsáveis de várias instituições venezuelanas e representantes das comunidades em Caracas», que teriam confirmado a ausência de qualquer transferência financeira do executivo madeirense. A promessa do Governo, segundo o JPP, foi feita a 10 de julho de 2026 pelo presidente do Governo Regional.

«É uma tremenda falta de consideração e de credibilidade para com a comunidade luso-venezuelana»,

declara Élvio Sousa no comunicado, criticando o que descreve como incumprimento e lentidão nas diligências que deveriam acompanhar uma situação de emergência internacional.

Reacção da oposição e contexto político

O JPP, que detém 11 dos 47 deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, considera a falta de entrega da verba «lamentável» e «vergonhosa», colocando em causa a palavra do executivo liderado por Miguel Albuquerque (PSD/CDS-PP). No comunicado, o partido recorda que o presidente do Governo Regional havia anunciado a libertação dos fundos e ainda a possibilidade de um reforço conforme as necessidades identificadas no terreno.

Para o JPP, o caso não é apenas uma questão técnica, mas afecta directamente a credibilidade institucional da Região e o sentimento de apoio perante a comunidade madeirense e luso-venezuelana que vive fora de Portugal. Élvio Sousa sublinha que, em situações de calamidade, a rapidez na entrega dos apoios é fundamental.

Experiência local como referência

No comunicado, o líder do JPP evoca a sua experiência em funções executivas na freguesia de Gaula durante episódios críticos, como o aluvião de 2010 e os incêndios de 2012. Argumenta que, nessas ocasiões, promessas externas não foram suficientes para acelerar a resposta local, defendendo que a acção imediata e concertada é imprescindível para minimizar o sofrimento das populações afectadas.

Sem, no entanto, apresentar documentos públicos que comprovem a alegada ausência de transferência, o JPP afirma ter verificado junto de instituições e líderes comunitários em Caracas a inexistência de qualquer verba recebida em resultado do anúncio regional.

Elementos factuais e prazos

  • Data do anúncio do Governo Regional: 10 de julho de 2026;
  • Montante prometido: 150 000 euros;
  • Estado alegado pelo JPP: nenhum euro recebido pelas instituições contactadas na Venezuela, quase dois meses após a promessa.
Data Evento
10/07/2026 Anúncio público da libertação de €150 000 pelo Governo Regional
23/08/2026 Comunicado do JPP alegando que «nem um euro» foi recebido em Caracas

O caso abre um leque de questões práticas e políticas: quais os mecanismos utilizados para enviar o apoio (transferência direta, via ONG parceiras ou através de embaixadas), a calendarização da operação e a transparência no seguimento dos fundos públicos destinados a uma emergência no estrangeiro.

Até ao momento da publicação desta peça, o Governo Regional da Madeira não apresentou uma reação oficial ao comunicado do JPP. A ausência de resposta pública por parte do executivo tende a aumentar as dúvidas levantadas pela oposição, sobretudo sobre os prazos e vias de envio da ajuda anunciada.

Impacto na comunidade luso-venezuelana

Na Madeira, a questão mobiliza sensibilidade, dada a presença de uma comunidade luso-venezuelana com laços familiares e afectivos na Região. Para muitos madeirenses com familiares na Venezuela, a promessa de apoio assumida pelo Governo representava um sinal de solidariedade que, segundo a crítica do JPP, ainda não se traduziu em resultados tangíveis no terreno.

Se confirmado o incumprimento, o episódio deverá ser levado ao debate na Assembleia Legislativa da Madeira, onde o JPP poderá exigir explicações formais sobre os mecanismos financeiros e os prazos de execução da ajuda humanitária.

Nas semanas que se seguem, a transparência sobre o destino dos recursos e a clareza sobre o processo de envio serão determinantes para acalmar apreensões e restabelecer a confiança, tanto entre os partidos como entre a própria comunidade que esperava ver a solidariedade regional transformada em assistência concreta.

Ricardo Freitas Câmara, correspondente na Madeira

Ricardo Freitas Câmara
Ricardo IA Correspondente na Madeira online

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