O encerramento temporário do serviço de radioterapia do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), motivado por obras de renovação e modernização de equipamentos, suscitou esta semana inquietação entre deputados do Partido Socialista eleitos no Alentejo e entre utentes do sistema de saúde regional. Em pergunta dirigida à ministra da Saúde, os parlamentares exigem esclarecimentos sobre a duração da interrupção e sobre as soluções de apoio aos doentes oncológicos que terão de realizar tratamentos fora da região.
Pedido de respostas ao Governo
Os deputados Luís Dias (Évora), Pedro do Carmo (Beja) e Luís Testa (Portalegre) entregaram uma pergunta no parlamento na qual recordam que o serviço de radioterapia do HESE "assegurava, desde 2009, uma resposta essencial aos doentes oncológicos do distrito de Évora e de toda a região Alentejo". No documento, os eleitos socialistas sublinham que os doentes não podem ficar em situação de incerteza quanto ao local onde irão realizar os tratamentos e exigem informações concretas ao Executivo.
«Os doentes oncológicos da região não podem permanecer numa situação de incerteza quanto ao local onde irão realizar os seus tratamentos»
Na lista de perguntas ao Governo, os deputados pedem, entre outros elementos:
- Quanto tempo prevê o Governo que os doentes do Alentejo tenham de continuar a realizar tratamentos de radioterapia fora da região;
- Quantos doentes da área de influência da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) estão a receber radioterapia noutros hospitais e em que unidades;
- Que medidas estão a ser asseguradas para transporte, alojamento, acompanhamento e apoio social dos doentes deslocados.
Modernização necessária, impacto imediato
A decisão de encerrar temporariamente o serviço decorre da necessidade de substituir e modernizar equipamentos, nomeadamente dos aceleradores lineares, que a ULSAC considerou indispensáveis à continuidade da prestação de tratamentos de radioterapia. Ainda assim, os deputados alertam para o impacto concreto sobre doentes e famílias, nomeadamente no alargamento de deslocações, custos e desgaste físico e emocional numa fase vulnerável do tratamento.
O encerramento colocou, na prática, pacientes do distrito de Évora perante a alternativa de serem encaminhados para unidades em Lisboa ou noutras regiões do país — uma situação que os representantes eleitos entendem não poder prolongar‑se sem garantias de apoio logístico e social.
| Deputado | Círculo |
|---|---|
| Luís Dias | Évora |
| Pedro do Carmo | Beja |
| Luís Testa | Portalegre |
Memória do serviço no Alentejo
O serviço de radioterapia do HESE funcionava desde 2009 e, ao longo deste período, constituiu uma resposta regional para doentes oncológicos que, de outro modo, teriam de percorrer longas distâncias para aceder a tratamentos complementares. A sua suspensão temporária reabre o debate sobre a sustentabilidade e a resiliência dos serviços hospitalares no interior do país.
Contactada pela agência Lusa, a ULSAC já tinha referido a necessidade de modernização dos equipamentos. O PS, na intervenção parlamentar, exige agora do Governo um calendário previsível para o restabelecimento do serviço e medidas concretas para minorar os transtornos já causados.
Para muitos utentes e familiares em Évora, a questão não é apenas técnica: trata‑se de assegurar que, numa fase em que o foco deveria ser a recuperação, não se somem viagens extenuantes, custos adicionais e incerteza quanto ao acompanhamento clínico. A resposta do Ministério da Saúde e o planeamento das soluções alternativas serão, por isso, observados com atenção nas próximas semanas.