A Câmara Municipal de Ílhavo, em parceria com a associação local «Os Cardadores», anunciou a realização do I Encontro Nacional de Máscaras Tradicionais Portuguesas (RONCO), que terá lugar nos dias 3 e 4 de outubro em Vale de Ílhavo. A apresentação pública da iniciativa está marcada para esta sexta‑feira, 18 de setembro de 2026, às 18h, nos Paços do Município.
Objetivos e âmbito do encontro
Segundo a organização, o RONCO pretende reunir, «num mesmo espaço, diferentes tradições, comunidades e protagonistas» de uma das manifestações mais singulares do património cultural português. A iniciativa assume uma dimensão nacional, com a presença confirmada de 24 grupos/associações provenientes de várias regiões do país, e visa a «promoção e preservação cultural e identitária» associada às máscaras tradicionais.
Programa e contributos locais
O encontro de dois dias combina mostram artísticas, ações de valorização patrimonial e componentes de animação popular. Entre os eventos anunciados constam:
- a exposição fotográfica «Bons Rapazes», dos fotógrafos João Parracho e Pedro Esteves;
- a inauguração de um mural na sede dos Cardadores, em Vale de Ílhavo;
- concertos e uma feira gastronómica local;
- o desfile tradicional de máscaras portuguesas denominado «Ronco».
Trata‑se, nas palavras da organização, de um momento de «afirmação da identidade cultural portuguesa» e de aproximação entre territórios e comunidades que mantêm vivas estas manifestações ancestrais. O RONCO integra‑se ainda na rede «Aldeias de Portugal», da qual Vale de Ílhavo faz parte, ideia que reforça o posicionamento do território como polo de conservação e promoção de práticas culturais rurais e populares.
Grupos participantes
Entre os participantes confirmados figuram coletividades e grupos tradicionais de várias origens, incluindo representantes do concelho de Ílhavo e de outros pontos do país. Na lista encontram‑se, entre outros:
- Os Cardadores (Vale de Ílhavo) — anfitriões;
- Toca a Baldar (Vale de Ílhavo);
- Nazbrass (Gafanha da Nazaré);
- Caretos de Grijó (Grijó da Parada); Caretos de Parada (Parada); Caretos de Salsas (Salsas);
- O Diabo, A Morte e a Censura (zona histórica urbana de Bragança: Cidadela e Além do Rio);
- Zangarrão (Lagoaça, Freixo de Espada à Cinta);
- Corrida do Entrudo das aldeias de Xisto de Góis (Aigra Nova, Pena, Cerdeira, Esporão e Ponte do Sótão);
- Caretos de Lazarim (Lazarim, Lamego); Caretos de Arcas (Arcas); Caretos de Murçós (Murçós);
- Caretos da Lagoa (Lagoa, Mira);
- A Velha, o Bailador e a Bailadeira (Vila Chã da Braciosa) e Velho e Galdrapa (São Pedro da Silva, Miranda do Douro);
- Caretos Torre Dona Chama (Torre de Dona Chama); Chocalheiro (entre outros grupos mencionados).
«Pretendemos valorizar a diversidade das tradições associadas às máscaras e contribuir para a promoção e preservação cultural e identitária»,
disse a organização ao apresentar o encontro. A diversidade dos participantes — desde povos transmontanos a grupos do interior e da costa centro — pretende mostrar as variações regionais da iconografia, do uso ritual e do imaginário em torno das máscaras.
Impacto local e perspetivas
Para Ílhavo, a concretização do RONCO comporta várias implicações práticas e simbólicas. Em termos simbólicos, reforça o papel do concelho como espaço de encontro entre patrimónios rurais e urbanos, e como palco para iniciativas culturais com alcance nacional. Em termos económicos e de desenvolvimento local, o evento inclui uma feira gastronómica que pode dinamizar produtores e serviços locais ao longo do fim de semana de outubro.
| Data | Evento principal |
|---|---|
| 18 de setembro de 2026, 18h | Apresentação pública nos Paços do Município |
| 3 e 4 de outubro de 2026 | I Encontro Nacional de Máscaras Tradicionais Portuguesas (RONCO) — Vale de Ílhavo |
A apresentação pública desta sexta servirá também para divulgar a programação detalhada e as medidas logísticas associadas ao RONCO, nomeadamente no que respeita a acessibilidades, alojamento e protocolos de acolhimento das coletividades visitantes. A realização do encontro em Vale de Ílhavo será, em qualquer caso, um teste à capacidade de articulação entre autarquia, associações locais e organizações culturais nacionais, com potencial para se afirmar como evento anual se a experiência for considerada bem‑sucedida.