Marco no bloco operatório central de Faro
O Hospital de Faro assinalou, na última semana, a realização da 100.ª cirurgia robótica desde o início desta atividade, em novembro de 2025. A iniciativa, que já integra diferentes especialidades, foi destacada pelo Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Algarve durante a cerimónia comemorativa.
A técnica tem sido utilizada sobretudo nas áreas de Urologia, na UTCO — Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade — e em Cirurgia Geral, com procedimentos como prostatectomia, nefrectomia, cistectomia, bypass gástrico e fundoplicatura de Nissen entre os mais realizados.
Aprendizagem e consolidação
Segundo a equipa envolvida, a instalação e desenvolvimento da cirurgia robótica no hospital traduzem-se num processo de aprendizagem contínua e de adaptação dos fluxos assistenciais e logísticos necessários.
«A 100ª cirurgia robótica representa muito mais do que atingir um número. Representa o caminho percorrido, a aprendizagem adquirida, a capacidade de adaptação demonstrada e, sobretudo, o trabalho conjunto de profissionais que tornaram possível consolidar esta atividade.»
Para o coordenador da área, Miguel Cabrita, o registo é um «marco importante», lembrando que cem doentes já beneficiaram das técnicas e da tecnologia, com ganhos assinaláveis na recuperação pós‑operatória, na qualidade de vida e na redução do tempo de internamento.
Equipa multidisciplinar e impacto na oferta regional
O Conselho de Administração aproveitou o momento para sublinhar o contributo de uma vasta equipa — médicos, enfermeiros e assistentes operacionais — cujo trabalho diário foi considerado determinante para «assegurar a excelência dos cuidados prestados». A operacionalização da tecnologia exigiu, conforme referido, não só formação técnica, mas também a reorganização de processos no Bloco Operatório Central.
O desenvolvimento da cirurgia robótica no Algarve não se limita a Faro: o Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, dispõe também desta capacidade desde 28 de abril de 2025, ampliando a oferta regional desta modalidade cirúrgica.
O que significa para doentes e sistema de saúde
- Recuperação: técnicas minimamente invasivas associadas à cirurgia robótica tendem a reduzir o tempo de internamento e a favorecer uma recuperação mais rápida.
- Diferenciação clínica: a adoção desta tecnologia contribui para a especialização e distinção dos serviços hospitalares no Algarve.
- Capacitação: a consolidação da atividade implica formação contínua e trabalho conjunto entre múltiplas equipas.
| Especialidade | Procedimentos mais referidos |
|---|---|
| Urologia | Prostatectomia, nefrectomia, cistectomia |
| UTCO (Obesidade) | Bypass gástrico |
| Cirurgia Geral | Fundoplicatura de Nissen (entre outros procedimentos) |
Os responsáveis frisaram que o número — cem cirurgias — é apenas um indicador do percurso já realizado. Mais relevante, disseram, é a capacidade construída em termos de competências e de adaptação dos processos, com vista a uma prestação de cuidados mais eficaz e segura.
Para a população algarvia, e para os utentes que procuram o serviço, a disponibilização da cirurgia robótica em Faro representa um ganho na oferta cirúrgica regional. Também para o Turismo de Saúde, uma área com relevância crescente no Algarve, a existência de tecnologia e equipas qualificadas reforça a atratividade do território como destino de cuidados especializados.
O desafio futuro passa por manter o crescimento sustentado da atividade, diversificar ainda mais os procedimentos e assegurar que a implementação continuada da tecnologia se traduza em benefício real e mensurável para os doentes.