Turismo em alta fortalece economia local
Guimarães totalizou 190.289 dormidas nos primeiros seis meses de 2026, um acréscimo de 9,4% face ao mesmo período de 2025, segundo a contabilização do Jornal de Guimarães a partir dos dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE). O resultado reafirma o concelho como um dos destinos de maior procura no país, ocupando o 29.º lugar entre 308 concelhos no primeiro semestre.
O desempenho vimaranense supera não só a média da Comunidade Intermunicipal do Ave — onde o crescimento semestral das dormidas foi de 6,4% — como também as subidas registadas no Norte (5,4%) e a variação nacional, que se ficou pelos 1,3%, com as dormidas totais a passar de 36,38 para 36,85 milhões.
Meses que puxaram pela recuperação
Do conjunto mensal, destacam-se duas subidas significativas: janeiro e junho. Janeiro, apesar de ser tradicionalmente o mês de menor procura, evidenciou uma subida de cerca de 17%, com as dormidas a subir de 20.091 para 23.519. Junho foi outro mês de forte crescimento, com um aumento de quase 16% — 32.523 dormidas em 2025 para 37.688 em 2026. Maio registou a maior estabilidade face ao ano anterior, com um acréscimo de apenas 2%, passando para 37.700 pernoitas.
| Mês | Dormidas 1.ºsem/2025 | Dormidas 1.ºsem/2026 | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Janeiro | 20.091 | 23.519 | +17 |
| Maio | 36.961?* (valor global mês não integral no source) | 37.700 | +2 |
| Junho | 32.523 | 37.688 | ~+16 |
*Nota: o Jornal de Guimarães refere que maio foi o mês com 37.700 dormidas em 2026 e que a subida face a 2025 foi de 2%; o valor absoluto de maio de 2025 não é detalhado na totalidade do excerto disponibilizado.
Estrutura da oferta e segmentos em maior crescimento
Como é habitual no concelho, a hotelaria continua a captar a esmagadora maioria das pernoitas: 81% das dormidas verificadas no primeiro semestre decorreram em unidades hoteleiras. Segue-se o alojamento local, com 15%, e o turismo rural e de habitação, que representa 4% do total.
- Hotelaria: 81% das dormidas
- Alojamento local: 15%
- Turismo rural e de habitação: 4% (crescimento homólogo superior a 73%)
Importa sublinhar que, apesar do menor peso na pirâmide das dormidas, o segmento de turismo rural e de habitação foi o que registou a maior subida face a 2025 — passando de 4.298 para 7.448 dormidas, um acréscimo superior a 73%. Este comportamento revela uma procura crescente por alternativas à hotelaria convencional, com implicações para proprietários, operadores locais e para a estratégia municipal de promoção turística.
«Guimarães totalizou 190.289 dormidas até 30 de junho de 2026»
Posição nacional e desafios locais
Na hierarquia nacional dos concelhos com mais dormidas, Guimarães surge atrás dos grandes pólos urbanos e destinos turísticos concentrados: Lisboa lidera com cerca de 7,7 milhões de dormidas, seguida por Albufeira (3,3 milhões), Porto (3,2 milhões) e Funchal (3 milhões). Apesar de a liderança pertencer, naturalmente, às áreas metropolitanas e às zonas de sol e praia, o desempenho vimaranense tem relevância por concentrar mais de 60% das dormidas registadas na CIM do Ave no primeiro semestre.
Para o tecido económico local — setor hoteleiro, restauração, comércio e serviços turísticos — os números traduzem-se em procura e receita adicionais num período relevante para a recuperação pós-pandemia e para a consolidação da estratégia de atração de visitantes. Ao mesmo tempo, a evolução aponta para a necessidade de políticas públicas e privadas que equilibrem capacidade de acolhimento, qualidade da oferta e sustentabilidade do destino.
O reforço da promoção do património histórico, dos eventos culturais e da oferta gastronómica, assim como a qualificação do alojamento local e do turismo rural, surgem como vetores naturais para manter a trajectória de crescimento e melhorar a distribuição da procura ao longo do ano.
Na próxima divulgação de dados do INE será possível confirmar a tendência e aferir com maior detalhe a contribuição dos diferentes mercados emissores (doméstico versus estrangeiro) e o impacto económico direto nas receitas do sector, informação que é aguardada com particular interesse por operadores e autarquia.