Evento deslocou-se para as margens do Tâmega e valorizou o património romano
A cidade de Chaves voltou a ser espaço de reencontro entre história e turismo com a realização, no fim de semana, da Festa dos Povos em Aquae Flaviae. A principal novidade desta edição foi a mudança do local para as margens do rio Tâmega, tendo como pano de fundo a Ponte Romana de Trajano, cenário que conferiu maior visibilidade e envolvimento ao evento.
O vice-presidente da Câmara Municipal, Tiago Caldas, realçou o efeito positivo da nova localização, que segundo a autarquia «deu outra dimensão ao evento». A iniciativa, centrada na recriação histórica da antiga Aquae Flaviae, voltou a apostar em espectáculos, intervenções cénicas e animação que cruzam a presença de povos galaicos, legionários, gladiadores, senadores, mendigos, escravos, falcoeiros e divindades — elementos que compõem a dramaturgia da recriação dos mais de dois mil anos de história local.
«salientou como positivo a mudança de local para a Festa dos Povos, que deu outra dimensão ao evento.»
A organização revelou que o investimento na recriação histórica rondou os 182 mil euros, apoiados pelo Turismo de Portugal. A Câmara considera que o retorno económico é, na sua opinião, «seguramente o dobro», assinalando a relevância do certame para a projeção de Chaves junto de visitantes nacionais e estrangeiros.
Impacto turístico e desdobramentos locais
Para os agentes locais, a Festa dos Povos funciona como plataforma de promoção do património material e imaterial de Chaves. A localização à beira-rio, junto à Ponte Romana de Trajano, criou um enquadramento cénico que valorizou os percursos pedonais e os espaços verdes do centro histórico, potenciando tanto permanência de públicos como consumo em estabelecimentos de restauração e comércio tradicional.
- Recriação histórica com elenco e cenografia inspirada na época romana;
- Nova localização junto ao Tâmega, com destaque para a Ponte Romana de Trajano;
- Investimento de 182 mil euros com apoio do Turismo de Portugal;
- Afirmação crescente junto de turistas nacionais e estrangeiros.
Embora a autarquia não tenha divulgado números concretos de visitantes nesta edição, a organização sublinhou que a procura turística tem vindo a aumentar, um sinal de que o evento consolida o seu lugar no calendário cultural da cidade. Para residentes e comerciantes, iniciativas deste tipo podem significar uma janela de oportunidade para prolongar a sazonalidade turística e dinamizar a economia local.
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento na recriação histórica | 182 000 € |
| Período histórico representado | Mais de 2 000 anos |
Além do efeito económico, a Festa dos Povos tem uma dimensão simbólica: reforça a ligação da cidade ao seu passado romano e contribui para a educação patrimonial dos mais jovens. A recriação reúne não só performers como também residentes interessados em participar nas diferentes cenas, o que fomenta uma comunidade cultural ativa.
O êxito da deslocação do certame para as margens do Tâmega suscita já reflexões sobre futuras edições e sobre a forma como o turismo cultural pode ser integrado em estratégias de promoção urbana. As autoridades locais e parceiros de turismo — incluindo o apoio identificado do Turismo de Portugal — terão argumentos para avaliar a replicabilidade desta solução noutros eventos e para melhorar logística, acessibilidades e ofertas complementares.
Para Chaves, cidade que promove a valorização do património e a dinamização económica local, a Festa dos Povos em Aquae Flaviae representa um exercício de conciliação entre memória histórica e desenvolvimento turístico contemporâneo. À medida que se afasta do formato estritamente cénico e se aproxima do espaço público fluvial, o evento reforça a identidade da cidade e amplia a sua atração para públicos diversificados, nacionais e internacionais.