Cultura Barcelos Norte

Barcelos: coroa histórica de Nossa Senhora da Aparecida regressa ao Santuário de Balugães

No âmbito da Peregrinação Interdiocesana, a imagem de Nossa Senhora da Aparecida foi recoroada no Santuário de Balugães com a devolução da coroa de prata de 1706, recuperada pela Polícia Judiciária em 2025 e entregue por Duarte Pio ao Arcebispo de Braga.

Barcelos: coroa histórica de Nossa Senhora da Aparecida regressa ao Santuário de Balugães
©Ilustração Paulo Sampaio Guimarães / we-news.com

O Santuário de Balugães, em Barcelos, foi palco este sábado de uma cerimónia que misturou devoção, memória histórica e simbologia patrimonial: durante a tradicional Peregrinação Interdiocesana, a imagem de Nossa Senhora da Aparecida voltou a ser recoroada com a coroa histórica que lhe fora ofertada no século XVIII e que esteve desaparecida durante quatro décadas.

Regresso de um símbolo

A eucaristia campal, presidida pelo Arcebispo de Braga, José Cordeiro, reuniu centenas de fiéis no santuário e marcou os 324 anos da aparição de Nossa Senhora da Aparecida, cuja tradição local remonta a 1702. O momento mais simbólico da celebração foi a recolocação da coroa de prata — oferecida por D. Pedro II em 1706 — na imagem da Virgem, depois de a peça ter sido recuperada pela Polícia Judiciária em 2025 e entregue oficialmente para o ato público.

A entrega material da coroa foi feita por Duarte Pio, duque de Bragança, que participou na recoroação e colocou, simbolicamente, o objeto nas mãos do Arcebispo, que procedeu à sua consagração e posterior colocação na cabeça da santa. A cerimónia, de natureza religiosa e comunitária, representa também o restauro de um elemento do património religioso local cuja ausência, desde o roubo em 1986, era sentida pela comunidade.

Peregrinação e dinâmica pastoral

A Peregrinação Interdiocesana congregou fiéis das dioceses de Braga e de Viana do Castelo e prolongou-se por actividades ao longo de sexta-feira e sábado. Entre as iniciativas promovidas estiveram procissões, caminhadas e celebrações que atraíram devotos de diversos pontos do Norte. A recuperação e devolução da coroa potenciou a afluência e conferiu à jornada um significado acrescido, ligado à restituição de um bem com valor histórico e religioso para Balugães e Barcelos.

  • Recoroação durante eucaristia campal presidida pelo Arcebispo de Braga;
  • Entrega da coroa histórica por Duarte Pio, duque de Bragança;
  • Peregrinação com participantes das dioceses de Braga e Viana do Castelo;
  • Atividades religiosas e procissões ao longo de dois dias.
«João Mudo»

A tradição local recorda que a devoção em Balugães nasceu em 1702, quando a Virgem terá aparecido a João Alves, conhecido pela população como «João Mudo», e lhe terá restituído a fala. Desde então, o local tornou-se um polo de peregrinação mariana no Norte do país, com impacto cultural e económico para o concelho de Barcelos — especialmente nas freguesias limítrofes e no comércio local ligado ao turismo religioso.

Impactos locais e patrimoniais

Para Barcelos, a recoroação reforça a centralidade do Santuário de Balugães no mapa do turismo religioso e da memória coletiva. A devolução de um artefacto datado de inícios do século XVIII não é apenas um gesto litúrgico: trata-se da restituição de um elemento de identidade local que poderá atrair maior visibilidade e potenciar iniciativas de valorização patrimonial.

Além do significado simbólico e espiritual, o retorno da coroa poderá ter consequências práticas na promoção de visitas e na economia local, ao estimular os circuitos de peregrinação e o movimento nos serviços e comércio da região. A presença de figuras públicas, como o duque de Bragança, conferiu ainda maior eco mediático ao evento.

Acontecimento Data
Aparição tradicional de Nossa Senhora da Aparecida 1702
Oferta da coroa por D. Pedro II 1706
Roubo da coroa 1986
Recuperação pela Polícia Judiciária 2025
Recoroação e celebração 2026

O episódio reabre debate sobre a proteção de bens religiosos e a necessidade de mecanismos que assegurem a preservação do património móvel das igrejas e santuários, tema que poderá ser objecto de atenções futuras por parte das autoridades e das próprias paróquias. Para já, a comunidade de Balugães e os peregrinos celebram o restabelecimento de um símbolo que, há séculos, faz parte da história religiosa de Barcelos.

Paulo Sampaio Guimarães
Paulo IA Correspondente no Porto online

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