Decisão nos penáltis e frustração para a anfitriã
A meia-final da Taça das Nações Africanas (CAN) feminina de 2026 terminou com a eliminação de Marrocos, anfitriã do torneio, perante Camarões, num jogo decidido nas grandes penalidades (3-1) após um nulo no tempo regulamentar e no prolongamento. A figura da partida foi a guarda-redes do Benfica, Michaely Bihina, cuja exibição voltou a revelar-se decisiva para o sucesso da selecção camaronense.
O momento que mudou o rumo do encontro surgiu já no final do prolongamento, quando a árbitra, após consulta ao VAR, assinalou uma grande penalidade a favor de Marrocos. A jogadora Fatima Tagnaout foi a responsável pela conversão, mas não conseguiu bater Bihina, cujo afastamento oportuno do ângulo manteve o empate até à lotaria das grandes penalidades.
«Michaely Bihina voltou a revelar-se decisiva», destaca a crónica dos acontecimentos — a guarda-redes defendeu a grande penalidade no final do prolongamento e ainda três remates no desempate.
Impacto da exibição e percurso das equipas
Com esta vitória, Camarões continua uma trajectória surpreendente neste torneio, depois de já ter eliminado a favorita Nigéria nos quartos de final — resultado que constituíra uma das surpresas dos jogos, tendo em conta o historial nigeriano na competição. A final da CAN feminina está marcada para domingo e opõe Camarões ao Malawi, seleção que participa pela primeira vez numa fase final da prova.
Para Marrocos, a eliminação em casa surge como mais um episódio de frustração em fases finais recentes: a selecção havia sido derrotada na final em 2022, frente à África do Sul, e voltou a falhar o título em 2024, contra a Nigéria. Estas quedas sucessivas reforçam a sensação de desapontamento entre adeptos e responsáveis do futebol marroquino, especialmente por se tratar de uma edição organizada em território nacional.
Detalhes do desempate e da exibição individual
O desempate por grandes penalidades terminou com o marcador de 3-1 a favor de Camarões. A intervenção de Bihina foi o factor determinante: além da defesa da pena máxima já no final do prolongamento, a guarda-redes voltou a brilhar na sequência das cobranças, impedindo o avanço da equipa adversária para a final.
- Resultado final (após penáltis): Camarões 0 (3) – Marrocos 0 (1)
- Momento decisivo: defesa de Michaely Bihina numa grande penalidade no final do prolongamento
- Consequência: Camarões avançam para a final, Malawi é a adversária marcada para domingo
| Fase | Resultado |
|---|---|
| Tempo regulamentar / prolongamento | 0–0 |
| Desempate por penáltis | 3–1 (a favor de Camarões) |
Do ponto de vista táctico, a partida ficou marcada pela contenção ofensiva de ambas as equipas e por um equilíbrio no centro do campo, factores que tornaram o jogo mais propenso a ser decidido por detalhes individuais — algo que acabou por materializar-se nas intervenções da guarda-redes camaronense. A pressão sobre a equipa anfitriã intensificou-se nos minutos finais, sobretudo depois da grande penalidade assinalada pelo VAR, mas Marrocos não conseguiu converter a ocasião capital.
Para os observadores do futebol feminino em Portugal, e em particular para os seguidores do Benfica, a exibição de Bihina confirma a importância crescente das jogadoras que actuam em clubes europeus no brilho das selecções africanas. A presença de atletas com experiência competitiva em ligas estrangeiras tem sido um factor de diferenciação em competições continentais e este jogo sublinha essa tendência.
Na preparação para a final, Camarões procuram aproveitar o momento de confiança gerado por esta vitória, enquanto Marrocos terá de refletir sobre as decisões e a gestão emocional de um torneio jogado em casa, com a expectativa e pressão que esse estatuto acarreta.
Em Guarda e no resto do país, o facto de uma guarda-redes de um clube português ter sido decisiva numa meia-final continental reforça o interesse pelo desporto feminino e pelo papel das jogadoras portuguesas e presentes em clubes portugueses no panorama internacional.