Tradição teatral e programação diversa mobilizam a comunidade
A aldeia da Castanheira, no concelho da Guarda, recebe este fim‑de‑semana a primeira edição do Festival dos Dramas da Castanheira, iniciativa que procura recuperar e atualizar experiências cénicas populares que durante décadas marcaram a vida comunitária. Organizado pela Associação Juventude Ativa da Castanheira, o festival integra o Ciclo de Festivais de Cultura Popular promovido pelo município da Guarda.
O programa, que se estende até domingo, combina ações de espetáculo, memória e formação, com propostas dirigidas a públicos de todas as idades. A abertura ficou marcada por uma caminhada, e o movimento cultural continua com eventos concentrados no Largo do Outão e noutros espaços rituais da aldeia.
- Sábado – 15:00: inauguração da exposição «AJAC – Palco da Memória» (Largo do Outão); 16:00 apresentação do Grupo de Teatro da Academia Sénior da Guarda com «Há 60 anos na minha aldeia»; lançamento de livros e do jornal «Castanheira Jovem»; às 18:00 concerto «Rezas e Benzeduras», por César Prata.
- Domingo – Feira da Cultura; 15:00 espetáculo «Teatro Dom Roberto» pela SA Marionetas (Largo da Senhora da Conceição); 16:00 sessão «No Mundo dos Excessos», com José Alberto Ferreira, apoiada pela Associação “Sou Só”; oficina de fantoches e conversa sobre «Dramas: Memórias e Testemunhos»; encerramento às 21:00 com a estreia do drama popular «De Cá Para Lá, De Lá Para Cá», pelo Grupo de Teatro Comunitário Castanheira Ativa (Calvário/Largo do Senhor dos Passos).
| Dia | Hora | Atividade |
|---|---|---|
| Sábado | 15:00 | Inauguração da exposição «AJAC – Palco da Memória» |
| Sábado | 16:00 | «Há 60 anos na minha aldeia» – Grupo de Teatro da Academia Sénior da Guarda |
| Sábado | 18:00 | Concerto «Rezas e Benzeduras» – César Prata |
| Domingo | 15:00 | «Teatro Dom Roberto» – SA Marionetas |
| Domingo | 16:00 | «No Mundo dos Excessos» – José Alberto Ferreira |
| Domingo | 21:00 | Estreia do drama «De Cá Para Lá, De Lá Para Cá» – Castanheira Ativa |
«Há 60 anos na minha aldeia»
Além dos espetáculos, a programação inclui lançamentos editoriais — entre os quais os livros «Clandestina Mente», de Jerónimo Jarmelo, e «Casulo», de Vítor Hugo Moreira — e o lançamento do jornal Castanheira Jovem, sinais de um trabalho continuado de documentação e produção cultural local.
Uma das vertentes centrais do festival é a preservação da memória: a exposição «AJAC – Palco da Memória» e a sessão de testemunhos com antigos atores e familiares procurarão registar práticas, textos e afetos ligados à tradição dos dramas populares. Estas iniciativas assumem relevante papel etnográfico e pedagógico, conectando gerações e fornecendo material para estudos sobre teatro amador e performatividade comunitária no interior do país.
Para a comunidade da Castanheira, o festival funciona também como mecanismo de coesão social e de afirmação identitária. A aposta em oficinas (como a oficina de fantoches destinada às crianças) e em momentos partilhados visa renovar públicos e facilitar que as práticas tradicionais sejam apropriadas por novos intérpretes, garantindo continuidade.
Economicamente, eventos deste tipo tendem a atrair visitantes do concelho e da região, contribuindo para a animação local e para a visibilidade de plataformas culturais do distrito da Guarda. No plano institucional, a inclusão do festival no Ciclo de Festivais de Cultura Popular do município evidencia uma estratégia de descentralização cultural que privilegia iniciativas de base e património imaterial.
O encerramento, com a estreia do drama popular «De Cá Para Lá, De Lá Para Cá», pelo Grupo de Teatro Comunitário Castanheira Ativa, promete ser o momento de maior envolvimento da aldeia: celebra-se uma forma teatral que foi, durante décadas, veículo de sociabilidade e comentário comunitário. A iniciativa revela-se, assim, simultaneamente conservadora — na salvaguarda de tradições — e inovadora — na criação de plataformas coletivas para pensar e representar a vida local.