Fraude por telefone visou estabelecimentos de restauração nos distritos de Viseu e da Guarda
A Guarda Nacional Republicana (GNR) está a apurar várias denúncias de proprietários de estabelecimentos de restauração nos distritos de Viseu e da Guarda que foram contactados por um indivíduo que se faz passar por fiscal do Estado. As queixas, registadas pelas autoridades, descrevem um esquema em que a vítima é pressionada a liquidar supostas dívidas através de referências eletrónicas fornecidas pelo burlão.
Segundo os relatos entregues à GNR, a estratégia utilizada começa por um contacto telefónico no qual o interlocutor sugere conhecer a situação fiscal do empresário e anuncia a iminência de ações de fiscalização e a aplicação de coimas elevadas. Em seguida, procura induzir o proprietário a pagar determinadas quantias para «resolver» o problema, apresentando dados bancários ou referências para transferência.
«A abordagem é feita por telefone. O interlocutor dá a entender conhecer a situação fiscal do empresário e informa-o da iminência de ações de fiscalização e aplicação de coimas elevadas», refere o comunicado das diligências.
O fenómeno foi assinalado na região no dia 14 de agosto de 2026, quando os primeiros contactos passaram a ser formalizados em reclamações. A investigação da GNR visa apurar a extensão do esquema, identificar os responsáveis e prevenir novas vítimas.
Como funciona o golpe e que cuidados tomar
O padrão relatado pelas vítimas permite descrever, de forma sintética, o modus operandi seguido pelo burlão e as medidas de autoproteção recomendadas pelas autoridades:
- Contacto inicial por telefone — o burlão apresenta-se como fiscal do Estado e dá a entender que dispõe de informação sobre a situação do estabelecimento;
- Ameaça de ações e coimas — é invocada a iminência de inspeções e penalizações para criar um sentimento de urgência;
- Pedido de pagamento — a solução apresentada passa pela liquidação imediata de valores por referências eletrónicas fornecidas pelo interlocutor;
- Resposta das autoridades — a GNR alerta para a necessidade de confirmação da autenticidade de contactos que solicitam pagamentos.
Para além destas recomendações gerais, as autoridades fiscais e a GNR aconselham os profissionais a: não efectuar pagamentos imediatos sem validação prévia, contactar diretamente os serviços oficiais do Estado para confirmar qualquer notificação e registar todos os elementos do contacto (número de telefone, dados fornecidos e supostas referências bancárias) para facilitar a investigação.
| Elemento | O que verificar |
|---|---|
| Identidade do interlocutor | Confirmar junto dos serviços oficiais; entidades públicas não exigem pagamento imediato por telefone |
| Referências de pagamento | Desconfiar de referências fornecidas por chamada; confirmar origem antes de transferir |
| Ameaças de coimas | Registar o teor do aviso; procurar esclarecimento oficial por canais institucionais |
O esquema descrito não é exclusivo da região, mas a ocorrência de várias queixas concentradas em Viseu e na Guarda evidencia a necessidade de sensibilização dirigida aos empresários locais, sobretudo no setor da restauração, mais exposto a contactos directos com o público e a operações de caixa.
Consequências para os comerciantes e resposta institucional
Para os proprietários afetados, além do prejuízo financeiro potencial, este tipo de burlas cria um clima de insegurança e dispende tempo em esclarecimentos junto das instituições. A investigação da GNR pretende não só identificar e deter os responsáveis como travar a proliferação do método, através de prevenção e comunicação pública.
Os operadores económicos são chamados a redobrar a cautela: qualquer notificação de natureza fiscal deve ser acompanhada de confirmação escrita pelos canais oficiais das finanças ou por contacto directo com a GNR. A cooperação entre comerciantes e forças de segurança será determinante para reduzir a circulação destes esquemas e proteger a actividade económica local.
As autoridades reiteram o apelo à denúncia imediata de contactos suspeitos, fornecendo elementos que possam contribuir para as diligências em curso, e sublinham que a validação prévia é o primeiro e mais eficaz filtro contra tentativas de burla.