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Fundão integrado em projecto BIOsCherry para reforçar sustentabilidade e qualidade da cereja

Investigadores da UTAD lideram o BIOsCherry, que vai testar bioestimulantes no Fundão para aumentar tolerância ao stress, produtividade e qualidade dos frutos; projecto tem financiamento de 307 mil euros e dura 36 meses.

Fundão integrado em projecto BIOsCherry para reforçar sustentabilidade e qualidade da cereja
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

Investigadores da Universidade de Trás‑os‑Montes e Alto Douro (UTAD) lançaram o projecto BIOsCherry com o objectivo de aumentar a sustentabilidade, a produtividade e a qualidade da produção de cereja, integrando ensaios no distrito do Fundão. A iniciativa concentra‑se na utilização e valorização de recursos endógenos para desenvolver bioestimulantes naturais que melhorem a resposta das cerejeiras a condições ambientais adversas.

Objectivos e metodologia

Coordenado pela investigadora Berta Gonçalves, do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da UTAD, o projecto propõe conceber novos protótipos de produtos capazes de «ajudar as cerejeiras a responder melhor a condições ambientais adversas, aumentando a sua tolerância a diferentes stresses, contribuindo assim para melhorar a produtividade e a qualidade dos frutos».

Os bioestimulantes a desenvolver são de origem natural. Após a fase inicial de formulação e caracterização, os compostos mais promissores serão testados em parcelas de Trás‑os‑Montes e no Fundão, onde se avaliará o seu impacto sobre a fisiologia das árvores, a adaptação às condições ambientais e os indicadores de produção e qualidade dos frutos.

  • Avaliação da eficácia dos bioestimulantes na tolerância a stresses ambientais;
  • Medidas de impacto na fisiologia das árvores e parâmetros de qualidade da cereja;
  • Exploração do potencial de aplicação em outras fruteiras (macieira, pereira, pessegueiro).
«Será avaliado o seu impacto na fisiologia das árvores, na adaptação às condições ambientais e na produtividade e qualidade das cerejas».

Financiamento, duração e enquadramento regional

O projecto é financiado pela Fundação «la Caixa», com um montante total de 307 mil euros. Arrancou em janeiro e tem uma duração prevista de 36 meses. Esta calendarização permitirá acompanhar, ao longo de várias épocas de cultivo, a resposta das plantas aos tratamentos e verificar efeitos em diferentes fases do ciclo da produção.

Portugal produz, segundo os dados citados pela UTAD, cerca de 20 000 toneladas de cereja por ano, com o Fundão, Resende e Penajóia a destacarem‑se como principais regiões produtoras. Para uma economia local como a do Fundão, onde a cereja tem peso agrícola e simbólico, intervenções que melhorem a resistência à seca, às temperaturas extremas ou a outras condicionantes climáticas podem traduzir‑se em ganhos significativos para os produtores.

Item Dados
Financiamento 307 000 €
Duração 36 meses
Coordenadora Berta Gonçalves (CITAB, UTAD)
Produção nacional anual ~20 000 toneladas

Impacto e perspetivas para os produtores do Fundão

O teste de bioestimulantes no Fundão insere‑se numa lógica de modernização e adaptação da fruticultura aos desafios climáticos. Bioestimulantes, pelo carácter natural e pela função de modular respostas fisiológicas das plantas, prometem oferecer soluções complementares às práticas tradicionais — por exemplo, reduzindo perdas de produção em anos de stress hídrico ou térmico, ou melhorando características organoléticas e de conservação do fruto.

Do ponto de vista do sector local, os resultados esperados poderão ter repercussões em vários níveis:

  • Melhoria da produtividade e da qualidade dos frutos, potenciando preços e competitividade;
  • Redução da vulnerabilidade face a eventos extremos, aumentando a resiliência das explorações;
  • Abertura para aplicações em outras fruteiras locais, diversificando possibilidades de inovação tecnológica.

O CITAB da UTAD procura com este projecto conjugar inovação, economia circular e valorização de recursos endógenos, alinhando investigação académica com necessidades práticas dos produtores. A monitorização no terreno, no Fundão e em Trás‑os‑Montes, será determinante para validar a eficácia dos protótipos e aferir a sua viabilidade económica e operacional para adoção pelos agricultores.

O acompanhamento científico nos próximos três anos deverá fornecer evidência técnica e recomendações que possam ser transpostas para políticas de apoio à fruticultura e para programas de transferência de tecnologia dirigidos às comunidades agrícolas do Fundão.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

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