Ambiente Fundão Centro

Fundão: associação lança campanha para comprar e regenerar 11 hectares ardidos

A Associação Projeto Milagre quer adquirir 11 hectares queimados nos incêndios de 2025, retirar o terreno do mercado imobiliário e transformar a área num espaço de experimentação para recuperar solos, água e ecossistemas. A campanha de crowdfunding decorre até 12 de outubro.

Fundão: associação lança campanha para comprar e regenerar 11 hectares ardidos
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

Uma área de 11 hectares no concelho do Fundão, totalmente consumida pelos incêndios de 2025, pode vir a ser removida do mercado imobiliário e convertida num espaço dedicado à recuperação de ecossistemas, se a campanha de crowdfunding lançada pela Associação Projeto Milagre atingir o objetivo financeiro. A organização pretende adquirir o terreno e transferi-lo para uma fundação, garantindo que a propriedade não volte a ser vendida e que seja utilizada exclusivamente para fins regenerativos.

Objectivos e prioridades do projecto

O plano apresentado centra-se em três linhas de intervenção: criar alternativas às respostas tradicionais aos incêndios e às alterações climáticas; transformar a parcela degradada num local de demonstração e aprendizagem; e disponibilizar práticas e saberes que aumentem a resiliência das paisagens e das comunidades locais.

As intervenções previstas visam, nomeadamente, a recuperação dos ciclos naturais da água, a regeneração dos solos e dos ecossistemas e a implementação de sistemas agroflorestais adaptados às condições do território. Estão também previstas hortas, lagos e corredores ecológicos, com a ambição de que o espaço sirva de laboratório para modelos de gestão territorial que respondam aos impactos dos incêndios, das secas e das inundações.

Propriedade, mercado e modelo de gestão

Para a Associação Projeto Milagre, a compra do terreno constitui uma estratégia para contrariar uma lógica de valorização da terra pautada pela sua comercialização. A proposta passa por substituir essa lógica por um regime onde os proprietários assumem o papel de «guardiões» do território, assegurando usos de carácter comunitário e de preservação.

«A aquisição da propriedade pretende contrariar uma lógica de valorização da terra assente na sua comercialização, substituindo-a por um modelo em que os proprietários assumem o papel de “guardiões” do território.»

Estado actual da campanha e metas temporais

Até ao momento, a campanha contou com a adesão de 56 pessoas, cujas contribuições permitiram financiar o equivalente a 4,6 campos de futebol (num total de aproximadamente 15,5 campos que correspondem aos 11 hectares). A iniciativa decorre até 12 de outubro, data até à qual se espera angariar o montante necessário para concretizar a compra da totalidade do terreno.

  • Área alvo: 11 hectares (cerca de 15,5 campos de futebol)
  • Contribuidores até agora: 56 pessoas
  • Área já financiada (equivalente): 4,6 campos de futebol
  • Prazo da campanha: até 12 de outubro
Indicador Valor
Área total 11 hectares
Equivalente em campos de futebol 15,5
Financiado até agora (equiv.) 4,6 campos
Número de contribuidores 56

Impacto local e possíveis desdobramentos

Para os residentes do Fundão e para os agentes locais ligados ao ordenamento do território, agricultura e protecção civil, o projeto propõe um conjunto de respostas que mexem com questões centrais: prevenção de riscos, recuperação de serviços ecossistémicos e modelos alternativos de uso da terra. A conversão de terrenos ardidos em espaços de experimentação regenerativa pode servir de exemplo para outras áreas afetadas pelos incêndios de 2025 na região do Centro.

Além do potencial ambiental e pedagógico, a iniciativa coloca desafios práticos: assegurar financiamento suficiente, estabelecer parcerias com entidades técnicas e científicas e definir modelos de governação eficazes para a futura fundação que ficará com a propriedade. O êxito dependerá também da capacidade de envolver comunidades locais e proprietários vizinhos nas práticas de gestão e na partilha de conhecimentos.

O apelo do Projeto Milagre chega num momento em que a recuperação de paisagens ardidas e a discussão sobre usos da terra estão no centro da agenda pública. Aos residentes do Fundão resta acompanhar a campanha até 12 de outubro e ponderar formas de participação — financeira ou técnica — numa iniciativa que pretende olhar para a recuperação como uma oportunidade de inovação territorial.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

Olá, sou o Miguel, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Centro

O seu resumo matinal

As principais notícias do Centro, na sua caixa de entrada todas as manhãs.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique