A cidade do Fundão recebe, no próximo dia 1 de outubro, uma mesa redonda dedicada ao compositor e ativista cultural José Mário Branco. A iniciativa, promovida pela companhia artística Camisola Preta, decorre às 21:30 na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade e constitui o ponto de partida de um projeto cultural que se estenderá até julho de 2027.
Oradores e moderação
O debate reúne um elenco que combina intervenção artística e trabalho editorial: o fadista Camané, António Branco e Ricardo Andrade, coorganizadores do volume José Mário Branco: Entrevistas para a imprensa (1970-2019). A moderação fica a cargo de Miguel Cardoso.
- Data: 1 de outubro
- Hora: 21:30
- Local: Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, Fundão
- Organização: Camisola Preta, em parceria com Associação Fado Cale, Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade e a editora Tinta-da-china
Segundo a nota de imprensa que anuncia o encontro, a conversa visa valorizar «o valor da palavra na obra de José Mário Branco» e reconhecer tanto a trajetória artística como as relações pessoais que os convidados mantiveram com o autor ao longo do tempo.
«O valor da palavra na obra de José Mário Branco»
Enquadramento do projeto «Tudo»
A mesa redonda integra o primeiro momento do projeto alargado intitulado «Tudo», que a Camisola Preta pretende desenvolver a partir de outubro e prolongar até julho de 2027. O programa prevê diversas ações na região, com destaque para apresentações na Covilhã.
| Data | Atividade | Local |
|---|---|---|
| 19 de março de 2027 | Apresentações de «Do que um Homem é capaz» (duas sessões) | Biblioteca Municipal da Covilhã |
| 28 e 29 de maio de 2027 | Espetáculo «Tudo» | Teatro Municipal da Covilhã |
Fundada oficialmente em 2023 por João Figueira, a Camisola Preta é uma companhia multidisciplinar que reúne artistas de diferentes áreas. Desde a sua criação que a companhia tem beneficiado do apoio da Direção-Geral das Artes (DGARTES) nas candidaturas que apresenta, permitindo-lhe desenvolver projetos e itinerâncias em vários pontos do país.
Significado cultural
José Mário Branco é referido na nota como uma das mais relevantes figuras da música portuguesa contemporânea, com uma obra intimamente ligada às correntes artísticas e políticas que se posicionaram contra o regime ditatorial e que influenciaram o período pós-25 de abril de 1974. Para além de compositor, foi arranjador e produtor, figura reconhecida pela atividade crítica e pelo esforço de intervenção social e cultural.
Para o público do Fundão, a mesa redonda representa uma oportunidade de contacto direto com intérpretes e editores que trabalharam e reflectiram sobre o legado de José Mário Branco, contribuindo para a memória cultural e para o debate sobre a função da palavra e da canção na esfera pública.
Além da discussão prevista, a parceria com a editora Tinta-da-china e com a Associação Fado Cale aponta para uma tentativa de ligar a reflexão editorial e musicológica à prática performativa, um traço distintivo do projeto que a companhia quer desenvolver ao longo das próximas temporadas.
Os organizadores salientam o carácter multidisciplinar da iniciativa e a intenção de levar os conteúdos do projeto a diferentes auditórios da região. A sessão no Fundão abre, assim, um ciclo que pretende combinar conversas, espetáculos e publicações, ampliando a visibilidade de uma obra que continua a ser objeto de estudo e homenagem.
Os interessados deverão acompanhar os canais da Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade e da Camisola Preta para informações adicionais sobre eventuais reservas ou logística de acesso.