Meio século e mais: memória e transmissão na praça
O Real Grupo de Forcados Amadores de Moura (RGFAM) completa 55 anos de existência num momento em que a associação procura consolidar a passagem de testemunho entre gerações. A longevidade, afirmam os seus membros, não se mede apenas por atuações, mas sobretudo pela capacidade de promover laços de amizade e um código de comportamento que ultrapassa a praça.
Valter Rico, integrado no grupo desde 1997 e cabo desde 2012, traça um balanço que conjuga memórias de momentos marcantes com a atenção à formação dos mais novos. Apesar de a actual temporada apresentar um número inferior de corridas face a épocas anteriores, o sentimento dentro do grupo é de satisfação e estabilidade: «alegre e bem composto», descreve a realidade que atravessam.
«Aqui ganhamos uma segunda família, com amigos de verdade que ficam para a vida»
A actividade colectiva tem sido marcada por episódios que projetaram o nome de Moura para além das fronteiras nacionais. Entre as participações referidas estão a abertura da temporada no Campo Pequeno, em Lisboa, em 2016, uma digressão ao México e atuações em França. Para o cabo, essas experiências revelam a dimensão social e cultural do grupo, que funciona também como uma «escola» de valores.
Formação e responsabilidade: preparar quem sucede
O RGFAM não pretende, segundo os seus responsáveis, limitar‑se a reproduzir técnicas. A formação que procura transmitir às futuras gerações baseia‑se no respeito, na responsabilidade e no espírito de grupo. Valter Rico sublinha a prioridade dada à construção de «bons homens», expressão que traduz a ideia de um domínio ético e social tão importante quanto a aptidão física para integrar as figuras do mundo tauromáquico.
- Valores centrais: respeito, responsabilidade, companheirismo.
- Actuações de destaque: Campo Pequeno (2016), digressão ao México, atuações em França.
- Próximo objectivo: estreia na Praça de Touros de Estremoz, prevista para setembro.
Mesmo em fases em que o número de elementos foi mais reduzido, a continuidade do grupo nunca esteve em risco. A ligação aos antigos forcados mantém‑se viva: muitos continuam próximos, funcionando como apoiantes e aficionados, numa cumplicidade que alimenta a preservação da tradição. «Nem todos podemos ser forcados, mas podemos ser aficionados e acompanhar o grupo», recorda um dos responsáveis, sintetizando a abertura que o RGFAM pretende manter junto da comunidade.
Impacto local e perspetivas
Para Moura, o grupo representa um património imaterial que cruza gerações. A actividade do RGFAM envolve não só a participação em eventos tauromáquicos, mas também uma dinâmica de convívio e socialização que fortalece a identidade local. A preparação de uma nova geração é, por isso, encarada como uma missão que ultrapassa o espectáculo: é transmissão de práticas, saberes e de um modo de estar.
| Factos | Detalhe |
|---|---|
| Idade do grupo | 55 anos |
| Fundador/Comando actual | Valter Rico (membro desde 1997; cabo desde 2012) |
| Actuações de relevo | Campo Pequeno (2016), México, França; estreia em Estremoz em setembro |
O aniversário serve também como impulso para reforçar as estruturas de acolhimento e treino, assegurar a ligação com os antigos e envolver a cidade em iniciativas que mantenham a jaqueta presente no quotidiano cultural. À medida que se aproxima a estreia em Estremoz e que a temporada continua a ser desenhada, o RGFAM procura confirmar que os próximos 55 anos possam assentar na mesma matriz de amizade, responsabilidade e pertença que tem caracterizado a sua história.
Em Moura, a tradição dos forcados permanece, assim,: não apenas como espectáculo, mas como modo de vida e memória partilhada, onde a praça é palco e a comunidade, garante da continuidade.