Feira histórica adapta-se: menor duração, maior organização
A 615.ª Feira de São Tiago — correspondente à 613.ª edição efectivamente realizada — decorreu entre 16 e 26 de julho no Complexo Desportivo da Covilhã e voltou a afirmar o certame como um dos eventos centrais da vida económica e cultural da Beira Interior. Ao longo de onze dias, o recinto acolheu mais de 200 expositores, dezenas de espaços de restauração, produtores locais, artesãos, empresas e entidades públicas e privadas.
Com origens documentadas desde 1411, a Feira de São Tiago mantém-se como uma das mais antigas iniciativas populares em actividade no país, percurso que a fez evoluir de uma feira agropecuária tradicional para uma mostra multi‑setorial com forte componente turística e empresarial.
«um dos maiores eventos anuais da região portuguesa da Beira Interior»
A edição de 2026 ficou marcada por um conjunto de alterações estruturais implementadas pelo Município da Covilhã, em parceria com a Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP), e com o apoio do Turismo de Portugal, através do programa Portugal Events. As mudanças procuraram responder às necessidades manifestadas por expositores, associações e juntas de freguesia e optimizar a experiência do público.
Principais mudanças e medidas de sustentabilidade
- Redução da duração: diminuição do período de realização de 16 para 11 dias, após auscultação dos intervenientes;
- Reorganização do recinto: ampliação e transferência da área de restauração para um novo espaço e deslocação do stand institucional para uma localização mais central;
- Medidas ambientais: introdução de copos reutilizáveis, com redução significativa do uso de plástico descartável;
- Modernização: implementação de bilhética digital como novo método de acesso e transacção de entradas.
Estas intervenções foram justificadas pelas autoridades locais como formas de conciliar o certame com outras iniciativas no território municipal e de responder às dificuldades de recursos humanos relatadas por muitas empresas participantes. A reorganização da zona de restauração e a centralização do espaço institucional visaram igualmente melhorar a circulação dentro do recinto e a experiência dos visitantes.
Impacto económico e cultural para a região
Mais do que um encontro comercial, a Feira de São Tiago assume um papel determinante na promoção da Covilhã e da Beira Interior. Para produtores locais, artesãos e operadores turísticos, o certame constitui uma plataforma de visibilidade e de contacto com consumidores e compradores profissionais. A presença de dezenas de operadores de restauração e a multiplicidade de expositores reforçam o efeito de arrastamento sobre a actividade económica da cidade durante o período do evento.
A aposta em sustentável e em digitalização corresponde a tendências mais amplas na gestão de eventos, com potencial para reduzir custos operacionais a médio prazo e melhorar a imagem do certame junto de públicos sensíveis a práticas ambientais e a soluções tecnológicas. No entanto, a eficácia dessas medidas dependerá da aceitação pelos visitantes e da capacidade organizativa para manter níveis de serviço e segurança adequados.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Edição (numérica) | 615.ª (613.ª realizada) |
| Período | 16–26 de julho |
| Expositores | Mais de 200 |
| Duração em 2026 | 11 dias (reduzida face a 16) |
Para a agenda cultural e turística da região, a Feira também funciona como catalisadora de programação paralela, promovendo conferências, espectáculos e animação que prolongam a oferta para residentes e visitantes. A consolidação destas dinâmicas é essencial para que a Feira mantenha relevância face a outras iniciativas regionais e nacionais.
Desafios e próximos passos
A continuidade do sucesso da Feira passa pela manutenção do equilíbrio entre tradição e modernização. Entre os desafios apontados estão a gestão de recursos humanos no sector da restauração, o ajustamento das infra‑estruturas do recinto à crescente procura e a monitorização dos efeitos das medidas sustentáveis introduzidas.
O Município da Covilhã e os parceiros terão de avaliar, em diálogo com expositores e público, a repercussão das alterações experimentadas em 2026 para decidir o formato das próximas edições. A capacidade de adaptação será determinante para que a Feira de São Tiago continue a ser, como ao longo de séculos tem sido, um motor de promoção económica e cultural da Beira Interior.