A Câmara Municipal de Faro manifestou profundo pesar pelo falecimento de Maria do Carmo Romão, natural da cidade, aos 89 anos, e apresentou «as mais sentidas condolências» à família e amigos, segundo comunicado divulgado esta semana.
Trajecto público vincado e raízes em Faro
Nascida em Faro a 25 de agosto de 1937, filha de um casal de pequenos agricultores, Maria do Carmo Romão completou aí a instrução básica e liceal antes de ingressar no curso de Direito na Faculdade de Direito de Lisboa. O seu percurso profissional e político destacou‑se nas décadas seguintes, com responsabilidades relevantes na administração pública e na vida política nacional.
Após o 25 de Abril de 1974, presidiu à Comissão da Condição Feminina, organismo que esteve na génese da actual Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, e assumiu posições de relevo na defesa da igualdade de oportunidades, dos direitos das mulheres e da justiça social.
Funções públicas e contributos
Ao longo da sua carreira ocupou diversos cargos de destaque:
- Presidente da Comissão da Condição Feminina (pós‑25 de Abril);
- Nomeada Secretária‑Adjunta do Governador de Macau em 1989;
- Deputada à Assembleia da República durante três legislaturas;
- Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entre 1996 e 2001.
Estas funções reflectem um envolvimento prolongado na administração pública e no associativismo social, com destaque para políticas de igualdade e medidas de protecção social.
«A Câmara Municipal de Faro manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Maria do Carmo Romão, natural de Faro, aos 89 anos».
Legado e vínculo à cidade
Embora tenha desempenhado cargos a nível nacional e, por breves períodos, além‑fronteiras, manteve uma ligação profunda a Faro, local onde iniciou a vida escolar e onde regressou no final dos seus dias. O município reconhece o seu contributo para a vida pública portuguesa e destaca o legado de participação cívica e serviço público que deixou.
O percurso de Maria do Carmo Romão deixa marcas em diferentes áreas — desde a institucionalização de estruturas dedicadas à condição feminina até à gestão do sector social —, o que a coloca entre as personalidades que ajudaram a moldar políticas de igualdade nas últimas décadas do século XX e princípios do século XXI.
| Ano / Período | Função |
|---|---|
| Após 1974 | Presidente da Comissão da Condição Feminina |
| 1989 | Secretária‑Adjunta do Governador de Macau |
| Três legislaturas | Deputada à Assembleia da República |
| 1996–2001 | Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa |
Reacção local e importância para Faro
O anúncio do executivo municipal sublinha a «sentida» perda para a comunidade local. Para Faro, a morte de uma personalidade nascida na cidade e que manteve laços com a terra é também um momento de reflexão sobre a trajectória de figuras públicas que, saindo de origens modestas, vieram a assumir responsabilidades de âmbito nacional.
À família e amigos, a Câmara Municipal endereçou condolências formais. Nos próximos dias, espera‑se que sejam divulgadas informações adicionais sobre cerimónias fúnebres e homenagens públicas, a cargo da família ou de instituições que com ela colaboraram ao longo da vida.
O percurso de Maria do Carmo Romão representa uma ligação entre Faro e os espaços centrais da administração e da política portuguesa, lembrando a importância de preservar a memória cívica local e o contributo de mulheres que marcaram o século XX em Portugal.