Desde 6 de setembro que todos os passageiros provenientes de países fora do espaço Schengen e da União Europeia estão sujeitos à recolha obrigatória de dados biométricos — nomeadamente fotografias e impressões digitais — no controlo de fronteiras nos aeroportos portugueses. Em declarações à Lusa, o diretor nacional adjunto da PSP e responsável pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), superintendente‑chefe João Ribeiro, confirmou que o processo tem corrido de forma «fluida», com uma exceção: o Aeroporto de Faro.
Pressão concentrada no Algarve
Ao contrário da generalidade dos aeroportos nacionais, onde a recolha obrigatória já está a ser realizada sem grandes constrangimentos, Faro tem registado «maior pressão», segundo a PSP. O responsável apontou para um conjunto de factores que explicam a situação: condições climatéricas, atrasos no tráfego aéreo e a ocorrência de múltiplas aterragens concentradas num curto período, o que provoca picos simultâneos de passageiros a necessitar do controlo biométrico.
João Ribeiro exemplificou um episódio recente em que, num intervalo de 25 minutos, «tínhamos mais de 10 voos a aterrar, com um número elevado de passageiros, essencialmente britânicos», situação que aumentou a pressão sobre os postos de fronteira. O responsável sublinhou que estão a ser tomadas medidas para minimizar o impacto sobre o fluxo de passageiros.
«A grande pressão é no aeroporto de Faro, facto de um conjunto de factores, mas estamos a tentar minimizar ao máximo esse impacto.»
Tempos de passagem e ajustamentos
Em comparação com a situação anterior — em que era possível suspender temporariamente a recolha biométrica em caso de filas —, os tempos de passagem pelo controlo biométrico têm vindo a aumentar. No aeroporto de Lisboa, por exemplo, o intervalo de espera médio mudou de cerca de 5 a 15 minutos para 15 a 30 minutos, valores que João Ribeiro classificou como «bastante aceitáveis». Para Faro, a PSP admite, porém, uma sobrecarga localizada que exige uma atenção adicional.
O novo regime integra o Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia, que entrou em funcionamento em outubro de 2025 de forma faseada. Até há pouco tempo, a recolha podia ser temporariamente suspensa para evitar congestionamentos; essa margem de manobra já não existe na mesma medida desde a obrigatoriedade a nível nacional.
- Data de início da recolha obrigatória a 100%: 6 de setembro de 2026
- Equipamento recolhido: fotografia e impressões digitais
- Unidade responsável: Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP
| Local | Tempo médio de passagem (antes) | Tempo médio de passagem (agora) |
|---|---|---|
| Lisboa | 5–15 minutos | 15–30 minutos |
| Faro | — | Regista picos de pressão |
Consequências locais e próximos passos
Para Faro, cidade fortemente dependente do turismo internacional — em especial no final do verão e início do outono —, a concentração de voos e a afluência de passageiros fora do espaço Schengen representam um desafio logístico que pode ter efeitos imediatos no conforto dos viajantes e na perceção do destino. A PSP afirma estar a trabalhar para mitigar atrasos, mas não detalhou medidas específicas além da monitorização e da «minimização ao máximo» dos impactos.
Do ponto de vista dos passageiros, o reforço das controlos biométricos pretende aumentar a segurança e a fiabilidade dos registos de entrada e saída no espaço europeu. Para operadores turísticos, aeroportuários e agentes locais, a prioridade será agora adaptar procedimentos e comunicações para reduzir incómodos, sobretudo em dias com chegadas concentradas.
As autoridades continuarão a acompanhar a evolução da situação em Faro nas próximas semanas, período crítico para avaliar se as pressões são pontuais — ligadas a eventos climatéricos ou a picos de tráfego — ou se exigirão respostas operacionais mais profundas.
O aeroporto e as entidades responsáveis pela gestão do terminal ainda não divulgaram estimativas próprias sobre tempos médios de espera ou medidas adicionais a implementar.