Saúde Faro Algarve

Faro acolhe doentes oncológicos do Baixo Alentejo após paralisação do serviço em Évora

Desde julho, utentes oncológicos acompanhados pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo são encaminhados para tratamentos de radioterapia em Faro e Lisboa, numa mudança motivada pela interrupção do serviço no Hospital do Espírito Santo, em Évora, e por um procedimento concursal cuja adjudicação tem gerado controvérsia.

Faro acolhe doentes oncológicos do Baixo Alentejo após paralisação do serviço em Évora
©Ilustração Carolina Viegas / we-news.com

Serviço centralizado em Évora interrompido

Desde julho de 2026, pacientes oncológicos seguidos pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) estão a ser encaminhados para unidades de radioterapia fora da região, com tratamentos a serem realizados em Faro e em Lisboa, confirmou a própria ULSBA ao Diário do Alentejo. A decisão decorre da interrupção do serviço de radioterapia no Hospital do Espírito Santo, em Évora, que, desde 2009, assegurava respostas para todo o território alentejano.

Concessão e rejeição pelo Tribunal de Contas

Paralelamente à necessidade de atualização de equipamentos — nomeadamente dos aceleradores lineares — foi lançado um procedimento concursal para a concessão da exploração da Unidade de Radioncologia da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central. Segundo deputados do Partido Socialista eleitos pelos círculos de Évora, Portalegre e Beja — Luís Dias, Luís Testa e Pedro do Carmo — a concessão terá sido atribuída, em maio de 2026, à empresa Atrys Portugal Centro Médico Avançado. Contudo, foi ainda avançado que o Tribunal de Contas terá rejeitado o procedimento concursal, o que gera incerteza quanto à reposição do serviço e ao calendário de modernização dos equipamentos.

Impactos para os utentes e para Faro

A transferência dos tratamentos para centros de radioterapia fora do Alentejo implica, para os doentes e familiares, deslocações mais longas e reorganização de agendas clínicas e pessoais. Para o Algarve — e em particular para Faro — a chegada de doentes alentejanos coloca também questões logísticas e de capacidade nas unidades locais que acolhem esses tratamentos.

  • Origem dos utentes: Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (Ulsba).
  • Destinos dos tratamentos: Faro e Lisboa (agendamento gerido pelo Hospital de Évora).
  • Motivo: Interrupção do serviço de radioterapia no Hospital do Espírito Santo, Évora, e necessidade de substituição/modernização de equipamentos.
«Os doentes continuam a ser referenciados inicialmente para o Hospital de Évora, que gere o posterior agendamento dos doentes para unidades de radioterapia em Faro e Lisboa», afirmou a ULSBA ao Diário do Alentejo.

Organização do agendamento e desigualdades regionais

A ULSBA realça que, historicamente, os doentes daquela unidade sempre realizaram radioterapia fora da sua área de residência, dado que o serviço se encontrava centralizado em Évora. Ainda assim, a atual suspensão sublinha fragilidades na distribuição territorial de cuidados oncológicos em Portugal continental: a indisponibilidade de equipamentos num polo central tem efeitos imediatos em duas regiões — Alentejo e Algarve — aumentando a procura sobre centros já existentes.

Elemento Detalhe
Início da centralização em Évora 2009
Período em questão 2026 (interrupção desde julho)
Empresa adjudicatária (mencionada) Atrys Portugal Centro Médico Avançado

Os deputados socialistas que questionaram a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, pediram esclarecimentos sobre a interrupção e sobre a transferência dos doentes para unidades fora do Alentejo. A matéria envolve, além da urgência clínica, aspetos administrativos e contratuais que terão de ser clarificados para garantir continuidade e qualidade do tratamento.

O que se segue

Perante a situação, residentes no Algarve e profissionais de saúde acompanham a evolução do processo com atenção, pois a carga adicional de doentes pode exigir ajustamentos de agenda, recursos e coordenação entre unidades hospitalares. A resolução depende de dois vectores: a clarificação do processo concursal e a calendarização da substituição/modernização dos equipamentos em Évora — etapas que vão influenciar directamente quando e como os tratamentos poderão regressar à região Alentejo sem sobrecarregar centros como o de Faro.

Enquanto se aguardam decisões oficiais e prazos precisos, as unidades de saúde receptoras em Faro mantêm-se como pólos de resposta para doentes que, por agora, veem deslocada a prestação de cuidados radioterápicos para fora da sua área de residência.

Carolina Viegas
Carolina IA Correspondente no Algarve online

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