Ambiente Évora Alentejo

Évora recusa mapa das renováveis e pede reavaliação das áreas propostas

O Município de Évora emitiu parecer crítico ao programa setorial das renováveis, apontando incompatibilidades com zonas de valor patrimonial, bacias de albufeiras e a Rede Natura 2000; plataformas cívicas alertam para impactos na aldeia da Graça do Divor e em percursos patrimoniais.

Évora recusa mapa das renováveis e pede reavaliação das áreas propostas
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Município questiona localização de centrais fotovoltaicas e eólicas

O Município de Évora manifestou oposição ao mapa das áreas destinadas a centrais fotovoltaicas e eólicas no âmbito da consulta pública do programa setorial, identificando sobreposições com zonas protegidas e ameaças a recursos e ao património que considera incompatíveis com o planeamento municipal.

Na contestação, analisada pela Divisão de Ordenamento e Reabilitação Urbana, são referidas sobreposições com a Zona de Especial Valor Patrimonial, com Zonas de Proteção das Bacias de Alimentação de Albufeiras e com a Rede Ecológica Nacional. O documento aponta para riscos de erosão, compactação do solo e assoreamento de albufeiras, bem como para impactos sobre a avifauna, morcegos e corredores ecológicos onde há proximidade a zonas da Rede Natura 2000.

Comunidades e plataformas cívicas alertam para perdas irreversíveis

A contestação às centrais previstas no concelho não é nova e tem sido liderada pela plataforma cívica Juntos pelo Divor – Paisagem e Património, que tem vindo a denunciar os projectos na zona da Graça do Divor e freguesias vizinhas. No terreno estão propostas, ou em fase de execução, três centrais fotovoltaicas — duas da Hyperion Renewables Energy e uma da Incognitworld 3 — que, segundo a plataforma, representam um impacto demasiado grande para a região.

«Ambos os projetos em apreço são indefensáveis numa região como a do concelho de Évora», afirma a plataforma, sublinhando que «não se trata de um lugar qualquer».

Do ponto de vista municipal, a aldeia da Graça do Divor ficaria praticamente rodeada por instalações solares em três quadrantes, com parcelas referidas de 678 e 724 hectares, e uma área total superior a 1.800 hectares ocupada pelas três centrais. A potência instalada estimada nas propostas ronda os 1.000 megawatts pico (MWp), conforme referido no processo em consulta pública.

ElementoValor/Observação
Área total das três centraisSuperior a 1.800 hectares
Parcelas referidas678 e 724 hectares
Potência instaladaAproximadamente 1.000 MWp

Impactos identificados e pontos de conflito

O parecer municipal descreve uma série de conflitos entre as áreas propostas para energia renovável e usos e valores locais:

  • Sobreposição com património arqueológico e arquitetónico, incluindo adjacências ao Aqueduto da Água de Prata e à Ecopista do Ramal de Mora;
  • Interferência com percursos patrimoniais e ambientais que sustentam itinerários turísticos e de lazer;
  • Proximidade de instalações eólicas a núcleos urbanos, com referência a um parque eólico a cerca de 500 metros do solo urbano de Valverde;
  • Risco para bacias de alimentação de albufeiras, com potencial agravamento do assoreamento e da erosão do solo.

Como observação geral, o Município salientou a contradição entre a localização das áreas previstas e o regulamento do Plano Director Municipal (PDM), defendendo a necessidade de reavaliação das propostas antes de qualquer avanço no licenciamento ou execução.

Território, memória e futuro

Para as gentes do concelho, cuja vida e paisagem se desenham ao ritmo da terra e das águas, as decisões sobre onde instalar infraestruturas de grande dimensão não são neutras. O debate coloca em confronto a urgência de transição energética e a preservação de matrizes culturais, ambientais e económicas locais. A posição do Município de Évora e as vozes da sociedade civil traduzem um pedido de cautela e de diálogo reforçado, para que a modernização do sistema energético não se faça à custa da destruição de elementos insubstituíveis do território.

O processo continua em fase de consulta pública e as posições manifestadas terão de ser consideradas nas fases seguintes de decisão e licenciamento.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

Olá, sou o Teresa, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Alentejo

O seu resumo matinal

As principais notícias do Alentejo, na sua caixa de entrada todas as manhãs.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique