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Évora recebe cerimónias de trasladação de bispos timorenses com programação até dia 19

A Arquidiocese de Évora organiza, sob o lema «Fé, Cultura e Identidade», uma série de celebrações e encontros dedicados aos bispos Jaime Garcia Goulart, José Joaquim Ribeiro e Martinho da Costa Lopes, cujos restos mortais serão trasladados para Timor‑Leste. A programação inclui missas, conferências e uma eucaristia solene presidida pelo Núncio Apostólico.

Évora recebe cerimónias de trasladação de bispos timorenses com programação até dia 19
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Évora acolhe, a partir de segunda‑feira, um ciclo de cerimónias organizadas pela Arquidiocese de Évora em homenagem a três antigos bispos que exerceram o seu ministério em Timor‑Leste. As iniciativas, anunciadas esta quinta‑feira, prolongam‑se até dia 19 de agosto e resultam num acto de memória e de entrega oficial dos restos mortais para a nação timorense.

Um gesto de memória e identidade

Segundo o comunicado da Arquidiocese, as celebrações decorrem sob o lema «Fé, Cultura e Identidade: Caminhamos Juntos na Esperança» e destinam‑se a «recordar e agradecer o testemunho» dos sacerdotes que «serviram a Igreja e o povo timorense em períodos particularmente marcantes da sua história». Na base desta programação estão três figuras cuja ação foi considerada «fundamental» na história eclesiástica de Timor‑Leste.

«Fé, Cultura e Identidade: Caminhamos Juntos na Esperança»

Os bispos e o calendário das cerimónias

Os homenageados são Jaime Garcia Goulart, José Joaquim Ribeiro e Martinho da Costa Lopes. A Arquidiocese recorda as respetivas responsabilidades em Díli: Jaime Garcia Goulart foi bispo entre 1945 e 1967, José Joaquim Ribeiro entre 1967 e 1977 e Martinho da Costa Lopes exerceu o cargo de administrador apostólico entre 1978 e 1983.

Nome Função em Díli Período
Jaime Garcia Goulart Primeiro bispo de Díli 1945–1967
José Joaquim Ribeiro Segundo bispo de Díli 1967–1977
Martinho da Costa Lopes Administrador apostólico de Díli 1978–1983

O programa começa às 10:30 da manhã de segunda‑feira com a chegada, à Igreja do Espírito Santo, das urnas que contêm os restos mortais de Jaime Garcia Goulart e de Martinho da Costa Lopes. À noite, às 21:30, na mesma igreja, haverá uma eucaristia presidida pelo arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, que servirá de acto de acolhimento e de entrega oficial dos restos mortais de José Joaquim Ribeiro à Igreja e ao Governo de Timor‑Leste.

Programação cultural e momento central na Sé

A terça‑feira será dedicada à dimensão académica, cultural e pastoral da iniciativa, com uma conferência agendada para as 18:30, nos Salesianos de Évora. A sessão pública é seguida por uma eucaristia em língua tetum, às 21:30, novamente na Igreja do Espírito Santo, que será presidida pelo bispo de Baucau, Leandro Maria Alves.

O facto mais simbólico das celebrações está marcado para o dia 19 de agosto, às 15:30, na Sé de Évora. Nesse momento central terá lugar uma eucaristia solene presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, Andrés Carrascosa Coso, acto que encerrará a programação local antes da trasladação para Timor‑Leste.

Ligação entre memória local e história de Timor‑Leste

A iniciativa de Évora enquadra‑se numa decisão anunciada, em fevereiro, pela Conferência Episcopal Timorense: a criação de uma comissão técnica para organizar a recolha e o transporte dos restos mortais daqueles que foram responsáveis pela diocese de Díli em momentos cruciais. Para a cidade de Évora, estas cerimónias assumem uma dupla significação: são ocasião de veneração religiosa e de reencontro com episódios de uma história partilhada entre Portugal e Timor‑Leste.

  • Recepção das urnas e eucaristia de acolhimento na Igreja do Espírito Santo.
  • Conferência e eucaristia em língua tetum, envolvendo a comunidade académica e pastoral.
  • Eucaristia solene na Sé de Évora presidida pelo Núncio Apostólico.

Para a população e para as comunidades católicas locais, a programação representa um momento de memória colectiva. Em Évora, cidade de membrana histórica entre o território alentejano e horizontes ultramarinos, estas cerimónias prolongam a presença de acontecimentos que ligam práticas religiosas a laços culturais e diplomáticos contemporâneos.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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