Évora deu um novo passo na aposta por espaços urbanos mais resilientes ao clima ao lançar a segunda fase da requalificação do Rossio de São Brás, obra que assume carácter estratégico para a cidade histórica. O procedimento agora publicado tem um preço base de 3.207.547,16 euros, prazo de execução de 120 dias e prevê intervenções de ajardinamento, redes e outras soluções destinadas a reduzir o impacto ambiental no espaço.
Projeto em duas fases e enquadramento ambiental
O projeto da requalificação foi aprovado em reunião de Câmara de 28 de maio de 2026 e integra duas fases distintas. A primeira empreitada, adjudicada em abril, conta com um valor aproximado de 4,1 milhões de euros e encontra‑se em execução. A segunda fase foi agora lançada a concurso sem divisão em lotes e com financiamento proveniente de fundos europeus.
O procedimento define expressamente a vertente ambiental como elemento central da contratação, sendo classificado como uma «Compra Pública Estratégica: Redução dos impactos ambientais». No documento constam critérios de contratação pública ecológica nacional, que orientarão a adjudicação cujo critério será o do preço.
«Floresta Nómada» e compatibilização de usos
Uma das componentes inovadoras do projeto é a designada "Floresta Nómada", pensada para aumentar a presença de vegetação no Rossio e contribuir para a criação de infraestrutura verde capaz de mitigar episódios de calor e melhorar a gestão hídrica local. A intervenção pretende, assim, responder a desafios climáticos sentidos com especial intensidade no Alentejo: temperaturas elevadas e escassez de água.
Ao mesmo tempo, o Rossio de São Brás é um espaço de múltiplos usos — estacionamento, feiras e grandes eventos fazem parte da rotina do local — pelo que a requalificação terá também de garantir a compatibilização dessas funções com as medidas de maior valor ambiental e urbano.
«Compra Pública Estratégica: Redução dos impactos ambientais»
Prazos e concurso
O anúncio do procedimento aponta um preço base de 3.207.547,16 euros, não dividido em lotes, com financiamento comunitário. As empresas interessadas terão até 28 de agosto de 2026 para apresentar propostas, sendo a adjudicação decidida pelo critério do preço.
| Fase | Valor | Estado | Prazo (quando indicado) |
|---|---|---|---|
| Primeira | ~4,1 milhões de euros | Adjudicada e em execução (adjudicada em abril) | - |
| Segunda | 3.207.547,16 euros (preço base) | Publicado em concurso | 120 dias (execução); propostas até 28/08/2026 |
Impacto local e preparação para 2027
Para os moradores e comerciantes da zona histórica, a intervenção traduz‑se numa promessa de maior conforto térmico, melhor qualidade ambiental e uma sala pública mais aprazível para feiras e eventos. A obra surge numa fase em que Évora se prepara para assumir um papel destacado em 2027, com a cidade a caminhar para a nomeação como Cidade da Cultura, facto que torna esta requalificação urbana particularmente sensível.
Os critérios de contratação ecológica e a integração de soluções verdes reflectem uma intenção declarada de alinhar a gestão do espaço público com estratégias de adaptação às alterações climáticas. A concretização dessas intenções dependerá, porém, do desenho final das intervenções, da qualidade das propostas a apresentar pelas empresas e da forma como os trabalhos conciliarão a circulação, o estacionamento e a realização de eventos com as novas infraestruturas verdes.
- Obra dividida em duas fases: primeira já em execução; segunda em concurso.
- Preço base da segunda fase: 3.207.547,16 €; prazo de execução: 120 dias.
- Projeto inclui componente designada «Floresta Nómada» e critérios de compra pública verde.
O processo segue agora para a fase de apresentação de propostas, com o horizonte de execução a ser curto — 120 dias — o que exige uma organização logística cuidadosa, dado o uso frequente do Rossio para actividades que mobilizam a cidade. Para Évora, trata‑se de uma intervenção de relevância urbana e simbólica que promete deixar marcas no quotidiano da cidade histórica.